Petróleo venezuelano volta ao centro das estratégias dos EUA após captura de Maduro

 


Após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, o presidente Donald Trump declarou que pretende reabrir a Venezuela às companhias petrolíferas americanas, permitindo a exploração das gigantescas reservas de petróleo bruto do país. A medida representaria uma mudança significativa na produção venezuelana e na geopolítica energética da região.

📊 Reservas e produção

  • A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, com 303,2 bilhões de barris, segundo a Opep, superando Arábia Saudita e Irã.

  • Apesar disso, a produção atual é baixa: cerca de 1 milhão de barris por dia, contra os 3,5 milhões registrados em 1999, quando Hugo Chávez assumiu o poder.

  • Analistas apontam que negligência, falta de investimento, corrupção e infraestrutura precária reduziram a capacidade de exploração.

  • As sanções impostas por Trump em seu primeiro mandato levaram a produção a um mínimo histórico de 350 mil barris/dia em 2020.

🚢 Como Caracas contorna o embargo

  • Estima-se que 80% do petróleo venezuelano seja comprado pela China, via Malásia como intermediária.

  • Cerca de 5% da produção é destinada a Cuba, em acordos bilaterais.

  • O país utiliza “petroleiros fantasmas”, com bandeiras e rotas falsas, para driblar bloqueios.

  • Em 2025, Caracas intensificou transações em USDT (stablecoin) para evitar sanções ligadas ao dólar.

🇺🇸 Presença americana na Venezuela

  • A Chevron mantém operações no país com licença especial de Washington, exportando parte da produção para os EUA.

  • A empresa não pode pagar impostos ou royalties em dinheiro, quitando obrigações com petróleo.

  • Outras companhias americanas, como ExxonMobil e ConocoPhillips, deixaram a Venezuela em 2007 após exigências de Chávez para que o Estado fosse acionista majoritário.

🎯 Interesses de Trump

  • Trump afirmou que os EUA precisam de energia e que há “muito dinheiro a ser extraído deste solo”.

  • Segundo analistas, o presidente considera que o petróleo exportado sob embargo é “roubado da comunidade internacional”, já que teria sido extraído com equipamentos e investimentos americanos antes das nacionalizações.

  • A estratégia também busca reduzir a influência chinesa no continente, somando-se às ações dos EUA no Canal do Panamá.

⚖️ Viabilidade e impacto

  • Especialistas avaliam que retomar a produção exigiria investimentos pesados, pouco atraentes diante da queda dos preços do petróleo em 2025.

  • Companhias americanas priorizam retorno aos acionistas, o que reduz o interesse imediato em investir na Venezuela.

  • No mercado global, a instabilidade venezuelana deve ter impacto limitado nos preços, com aumento marginal do barril.

  • Analistas destacam que o mercado está mais atento às tensões com o Irã, cuja produção é muito maior.

Fonte: Correio do Povo

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