O Brasil entra em 2026, ano eleitoral, com mais dúvidas do que certezas. A única definição clara até o momento é a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tentará a reeleição para levar o PT à sua sexta gestão no Palácio do Planalto, sendo quatro delas sob seu comando. Enquanto Lula já articula mudanças em políticas sociais para fortalecer sua campanha, lideranças do centro e da direita buscam um nome capaz de rivalizar em uma disputa nacional.
⚖️ Cenário nacional
Nas últimas eleições, o principal antagonista do PT foi o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Apesar de estar preso, inelegível e incomunicável, Bolsonaro segue influente e lançou a pré-candidatura de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, para herdar sua base eleitoral.
Outro nome de peso na direita é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), visto como opção preferida por setores ligados ao mercado financeiro. Sem sua definição, outros governadores surgem como presidenciáveis: Eduardo Leite (PSD-RS), Ratinho Júnior (PSD-PR), Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União-GO). Todos, porém, precisariam deixar seus cargos em março ou abril para concorrer, o que gera novos desdobramentos políticos.
Segundo o cientista político Rodrigo Stumpf Gonzalez (Ufrgs), a ausência de Tarcísio como candidato pode fragmentar ainda mais a direita, dificultando alianças nacionais e estaduais.
🗣️ Debate sobre Flávio Bolsonaro
A pré-candidatura de Flávio divide opiniões. Para Gonzalez, trata-se de uma jogada de Bolsonaro para manter relevância política mesmo preso. Já o professor Fábio Pereira de Andrade (ESPM) acredita que a candidatura é definitiva e não um blefe:
“O capital político acumulado desde 2018 pertence a Jair Messias e à sua família. Eles não estão dispostos a transferir esse capital.”
Andrade descarta que Flávio aceite ser vice em uma chapa com Tarcísio ou concorrer novamente ao Senado.
O cientista político Juliano Corbellini aponta, contudo, que a polarização entre PT e bolsonarismo apresenta sinais de desgaste desde 2022, abrindo espaço para uma candidatura alternativa.
🌍 Cenário no Rio Grande do Sul
No RS, o quadro eleitoral está mais definido:
Edegar Pretto (PT) será novamente candidato ao governo.
Luciano Zucco (PL) concorrerá com apoio de Bolsonaro.
Partidos de centro e direita apresentam múltiplas pré-candidaturas.
Na base do governador Eduardo Leite (PSD), quatro partidos disputam sua sucessão:
A decisão do PP, maior partido em número de prefeitos no estado, é considerada crucial, já que pode se alinhar ao MDB ou ao PL.
🔮 Futuro de Eduardo Leite
O futuro político de Leite segue indefinido: concluir o mandato, disputar o Senado ou lançar candidatura presidencial são possibilidades em aberto. Para Gonzalez, uma candidatura nacional seria inviável pela falta de projeção fora do Sul. Andrade sugere que Leite poderia fortalecer seu capital político com uma candidatura ao Senado, aproveitando sua juventude para se preparar para futuras disputas presidenciais.
Assim, o Brasil inicia 2026 com Lula consolidado na busca pela reeleição, Flávio Bolsonaro tentando ocupar o espaço do pai e Tarcísio de Freitas como a grande incógnita capaz de redefinir os rumos da disputa nacional.
Fonte: Correio do Povo