Dólar recua para R$ 5,40 em meio a enfraquecimento global da moeda americana e reflexos da crise na Venezuela

 


Após atingir R$ 5,45 pela manhã, o dólar perdeu força e encerrou a sessão desta segunda-feira (5) em queda moderada, cotado a R$ 5,4055, o menor valor de fechamento desde 11 de dezembro. O movimento refletiu o enfraquecimento global da moeda americana e o aumento do apetite ao risco no exterior, com alta firme das bolsas em Nova York.

📉 Fatores externos

  • Dados fracos do setor industrial dos EUA pressionaram o dólar. O PMI industrial caiu de 48,2 em novembro para 47,9 em dezembro, contrariando expectativas de alta. Leituras abaixo de 50 indicam contração.

  • Analistas também avaliam que a captura de Nicolás Maduro pelos EUA pode gerar efeito deflacionário global, abrindo espaço para cortes de juros.

  • O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a seis moedas fortes, recuou para 98,260 pontos no fim da tarde, após máxima de 98,861 pela manhã.

🛢️ Petróleo e Venezuela

Apesar da alta de mais de 1,5% nas cotações do petróleo nesta segunda, a expectativa é de queda no médio prazo com o aumento da produção venezuelana, após a retirada de embargos e possível retorno de investimentos de petrolíferas americanas.

“O mercado reavaliou as consequências da intervenção americana na Venezuela e adotou postura de ‘risk on’ à tarde”, explicou Luciano Costa, economista-chefe da Monte Bravo.

💹 Bolsa brasileira

O Ibovespa avançou 0,83%, fechando aos 161.869 pontos, próximo da marca de 162 mil.

  • Petrobras caiu (ON -1,67%, PN -1,66%), mesmo com alta do petróleo, diante da percepção de maior competição regional.

  • Vale ON subiu 1,02%, ajudando a sustentar o índice.

  • Setor financeiro teve desempenho positivo: Bradesco ON +3,39% / PN +4,23% e Itaú PN +1,46%.

  • Entre as maiores altas: MRV (+6,09%), Cyrela (+5,47%) e Direcional (+5,14%).

  • Entre as quedas: C&A (-15,71%), Brava (-5,76%) e Lojas Renner (-2,99%).

📊 Juros futuros

O mercado de juros seguiu a dinâmica global, com leve queda nos vencimentos intermediários e longos, refletindo expectativas de maior oferta de petróleo e impacto desinflacionário.

  • DI jan/2027: 13,700% (estável).

  • DI jan/2029: 13,015% (queda).

  • DI jan/2031: 13,335% (leve alta).

“Hoje tudo ficou na conta do petróleo. Uma oferta maior ajudaria no controle da inflação mundial e na queda dos juros globais”, avaliou Tiago Hansen, da Alphawave Capital.

🔮 Perspectivas

Nos próximos dias, investidores aguardam os dados de emprego dos EUA:

  • Relatório ADP (quarta-feira, 7).

  • Payroll oficial (sexta-feira, 9).

Sinais de deterioração no mercado de trabalho podem reforçar a expectativa de novos cortes de juros pelo Federal Reserve, após redução acumulada de 75 pontos-base em 2025.

Fonte: Correio do Povo

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