Mercado reage à escalada entre EUA e Irã e aguarda decisão do Copom; barril de petróleo dispara e pressiona inflação global.
SÃO PAULO – Em um dia marcado pela aversão ao risco no cenário internacional, o dólar comercial encerrou a sessão desta quarta-feira (29) em alta de 0,39%, cotado a R$ 5,0018. O movimento foi impulsionado pelo agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e pela postura cautelosa do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, que manteve as taxas de juros e sinalizou preocupação com a inflação energética.
Ao longo do dia, a moeda norte-americana apresentou volatilidade, registrando a mínima de R$ 4,9795 pela manhã e atingindo a máxima de R$ 5,0138 à tarde. No mercado futuro, o contrato para maio subia 0,56%, enquanto o índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de moedas fortes, avançava 0,21%.
O "Fator Irã" e o Petróleo
O principal catalisador do pessimismo foi o impasse entre Washington e Teerã. Relatos indicam que o governo Donald Trump manterá o bloqueio no Estreito de Ormuz até que um novo acordo nuclear seja firmado. A possibilidade de uma ofensiva militar "curta e poderosa" por parte dos EUA elevou o preço do petróleo: o barril do tipo Brent saltou para US$ 110,44, uma alta superior a 5%.
Para Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, o mercado vive um momento de "extrema apreensão". "O fator determinante é a guerra contra o Irã e a incerteza sobre a viabilidade de um acordo diplomático", pontuou.
Fed e a incerteza monetária
Nos Estados Unidos, o Fed confirmou as expectativas e manteve a taxa de juros no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano. No entanto, o tom do comunicado foi considerado "conservador" (hawkish). O presidente da instituição, Jerome Powell, destacou que os preços de energia ainda não atingiram o pico, o que dificulta a projeção de cortes nas taxas de juros em um futuro próximo. Com isso, investidores recalibraram as apostas de flexibilização monetária apenas para o final de 2027.
Expectativa pelo Copom
No cenário doméstico, as atenções se voltam para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que deve ser anunciada na noite de hoje. A expectativa majoritária do mercado é de uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic.
Entretanto, especialistas alertam que o impacto dessa queda no câmbio pode ser limitado. Segundo José Carreira, operador da Fair Corretora, o diferencial de juros (carry trade) entre Brasil e EUA ainda é o foco, mas a cautela externa prevalece sobre as decisões locais no curto prazo.
Resumo dos Indicadores (29/04/2026):
Dólar Comercial: R$ 5,0018 (+0,39%)
Petróleo Brent: US$ 110,44 (+5%)
Taxa Fed Funds: 3,50% - 3,75% (manutenção)

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