"Senado é soberano", afirma Jorge Messias após rejeição histórica ao STF

 


Em tom resiliente e religioso, o advogado-geral da União diz aceitar a decisão do plenário e agradece ao presidente Lula pela indicação.

BRASÍLIA – Após sofrer uma derrota sem precedentes no Senado Federal, o advogado-geral da União, Jorge Messias, manifestou-se na noite desta quarta-feira (29) sobre o arquivamento de seu nome para o Supremo Tribunal Federal (STF). Em declaração à imprensa, Messias adotou um tom de serenidade, afirmando que participou do processo de forma íntegra e que, apesar do peso pessoal da reprovação, respeita a autonomia do Legislativo.

"Me submeti a uma sabatina de coração aberto e espírito franco. A vida tem dias de vitórias e de derrotas. Temos que aceitar: o Senado é soberano e o plenário falou", declarou o ministro da AGU. Messias obteve 34 votos favoráveis e 42 contrários, falhando em alcançar o quórum mínimo de 41 apoios necessários para a aprovação. Esta foi a primeira vez em 132 anos que um indicado à Corte foi barrado pelos senadores.

Fé e trajetória profissional

Evangélico, Messias buscou amparo na religião para comentar o resultado negativo. "Não é simples alguém com a minha trajetória passar por uma reprovação, mas aprendi que minha vida está nas mãos de Deus. Lutei o bom combate, como todo cristão, e aceito o Seu plano", afirmou. O ministro possuía apoio de setores religiosos, o que foi um dos pilares de sua campanha pela vaga deixada por Luís Roberto Barroso.

O advogado-geral também desabafou sobre os cinco meses que separaram o anúncio de sua escolha pelo presidente Lula até a votação final. Segundo ele, houve um processo de "desconstrução" de sua imagem pública durante esse período. Ele reforçou ter uma "vida limpa" e ressaltou que, por ser servidor de carreira, sua trajetória profissional não depende de cargos políticos.

Próximos passos

Ao encerrar sua fala, Jorge Messias agradeceu a confiança de Lula e descartou encarar a decisão como um ponto final em sua carreira. "O presidente me deu uma grande honra. Não vejo isso como um fim, mas como uma etapa", concluiu. Com a rejeição e o consequente arquivamento da mensagem presidencial, o governo federal sofre um forte revés político e precisará articular um novo nome para a vacância no STF, que permanece aberta desde outubro de 2025.

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