Mesmo sob pressão da guerra, Copom reduz Selic para 14,5% ao ano

 


Em decisão unânime e aguardada pelo mercado, Banco Central promove o segundo corte consecutivo nos juros, apesar da escalada inflacionária causada pelo conflito no Oriente Médio.

BRASÍLIA – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) confirmou as expectativas do mercado financeiro nesta quarta-feira (29) e reduziu a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual. Com o novo ajuste, a taxa passa a ser de 14,5% ao ano. Este é o segundo corte seguido promovido pela autoridade monetária, que tenta equilibrar o estímulo à economia com os novos riscos inflacionários globais.

A decisão ocorre em um cenário de incerteza crescente. Embora o ciclo de queda tenha se iniciado com base na desaceleração prévia dos preços, o atual conflito entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio pressiona o custo de combustíveis e alimentos, ameaçando a trajetória de queda do IPCA.

Colegiado desfalcado

A reunião deste mês foi marcada por ausências significativas na mesa de decisão. O colegiado contou com três desfalques: as cadeiras dos diretores de Organização do Sistema Financeiro e de Política Econômica permanecem vazias desde o fim de 2025, aguardando indicações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, o diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, precisou se ausentar por motivos de luto familiar. Mesmo incompleto, o comitê foi unânime no movimento de flexibilização.

Inflação e o Desafio da Meta Contínua

Sob o novo sistema de meta contínua, implementado em janeiro de 2025, o BC deve manter a inflação em 3%, com um teto de tolerância de 4,5%. A tarefa, no entanto, tornou-se mais complexa:

  • O IPCA-15 de abril acelerou para 0,89%.

  • No acumulado de 12 meses, a inflação atingiu 4,37%, aproximando-se perigosamente do limite superior.

  • O mercado financeiro, via Boletim Focus, já projeta que a inflação feche o ano em 4,86%, rompendo oficialmente o teto da meta.

Impactos no Crédito e na Economia

A redução da Selic é vista como um fôlego para o setor produtivo. Ao baixar os juros básicos, o BC barateia o custo dos empréstimos e financiamentos, o que tende a estimular o consumo das famílias e o investimento das empresas.

Atualmente, o mercado projeta um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,85% para 2026, uma estimativa ligeiramente mais otimista que os 1,6% previstos oficialmente pelo Banco Central em seu último relatório.


Panorama das Taxas:

  • Selic anterior: 14,75%

  • Nova Selic: 14,50%

  • Meta de Inflação: 3% (Tolerância até 4,5%)

  • Projeção de Inflação (Focus): 4,86%

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