O governo dos Estados Unidos determinou que o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho deixe o país imediatamente. O anúncio, feito pelo Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado nesta segunda-feira (20), acusa o oficial brasileiro de tentar "manipular" o sistema de imigração norte-americano e "contornar pedidos formais de extradição". Segundo as autoridades de Washington, as ações do delegado configurariam uma tentativa de estender "perseguições políticas" ao território dos EUA.
A decisão é um desdobramento direto da prisão e posterior soltura do ex-deputado federal Alexandre Ramagem em solo americano. Ramagem, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por participação em trama golpista e foragido desde setembro de 2025, foi detido pelo Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE) no dia 13 de abril. Na ocasião, a PF brasileira celebrou a prisão como fruto de cooperação internacional, mas o ex-parlamentar foi libertado dois dias depois após as autoridades americanas verificarem que sua situação migratória era regular devido a um pedido de asilo em análise.
Marcelo Ivo atuava como oficial de ligação da PF em Miami desde agosto de 2023, trabalhando junto ao Departamento de Segurança Interna dos EUA. Sua missão, que havia sido prorrogada até agosto deste ano, foi interrompida sob a justificativa de que nenhum estrangeiro pode utilizar as ferramentas de imigração para fins políticos. O Departamento de Estado alertou que, caso o delegado não saia voluntariamente, terá seu visto cassado.
O episódio gerou reações no meio político. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro ironizou a situação, afirmando que a Polícia Federal tentou "driblar" as regras americanas ao tratar um caso de extradição como deportação administrativa. Até o momento, a Polícia Federal e o Itamaraty não emitiram comentários oficiais sobre a determinação de saída do delegado, que possui mais de duas décadas de carreira e já ocupou cargos de chefia em superintendências regionais e no Aeroporto de Guarulhos.
Trajetória e polêmica: quem é o delegado Marcelo Ivo, expulso dos EUA no caso Ramagem
O delegado Marcelo Ivo de Carvalho, pivô de uma recente crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos, possui uma carreira de mais de 20 anos na Polícia Federal (PF), marcada por cargos de alta gestão e combate ao crime organizado. Antes de ser designado para a missão internacional em Miami, Ivo acumulou experiências estratégicas, incluindo a chefia da Delegacia no Aeroporto Internacional de Guarulhos em 2016 e o cargo de delegado regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado em São Paulo entre 2018 e 2021. Sua última grande função no Brasil foi como superintendente da PF na Paraíba, posto que ocupou até janeiro de 2023.
Em agosto de 2023, Marcelo Ivo assumiu o posto de oficial de ligação da Polícia Federal em Miami, atuando diretamente com o Departamento de Segurança Interna dos EUA e o Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE). A função, considerada de prestígio, visa facilitar a cooperação internacional em temas sensíveis como terrorismo e imigração. Devido ao seu desempenho inicial, sua missão — originalmente de dois anos — foi prorrogada em março de 2025 para se estender até agosto de 2026.
No entanto, a trajetória de Ivo nos Estados Unidos foi interrompida abruptamente por uma ordem de expulsão do Departamento de Estado americano. As autoridades de Washington acusam o delegado de tentar "manipular" o sistema migratório para realizar o que classificaram como "perseguição política". O estopim foi a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem; os EUA alegam que Ivo tentou forçar uma deportação administrativa para contornar os trâmites legais e mais lentos de um pedido formal de extradição, ignorando que o alvo possuía status legal e pedido de asilo em análise no país. Enquanto a PF brasileira sustenta que a ação foi uma cooperação legítima contra um condenado por golpe de Estado, o governo americano interpretou a conduta do oficial como uma violação da soberania jurídica e dos protocolos diplomáticos.

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