A Polícia Civil do Rio Grande do Sul concluiu e remeteu ao Ministério Público, nesta sexta-feira, o inquérito sobre o desaparecimento e morte da família Aguiar, ocorrido em janeiro de 2026, em Cachoeirinha. O relatório final indiciou seis pessoas, apontando o policial militar Cristiano Domingues Francisco como o autor principal dos crimes de feminicídio contra a ex-mulher, Silvana Aguiar, e duplo homicídio qualificado contra os ex-sogros, Isail e Dalmira. Além do PM, que está preso preventivamente desde fevereiro, foram indiciados sua esposa, irmão, mãe, sogra e um amigo, por crimes que variam de ocultação de cadáver a fraude processual e associação criminosa.
A investigação, descrita como uma das maiores da história da corporação com mais de 20 mil páginas, detalhou um plano sofisticado para encobrir as mortes. Segundo a polícia, Cristiano utilizou um software de inteligência artificial para clonar a voz de Silvana e simular um telefonema informando sobre um suposto acidente, na tentativa de enganar os familiares. Dados de geolocalização e perícia digital revelaram que o suspeito utilizou o celular da vítima para criar um enredo fictício nas redes sociais e atrair os pais dela para o local onde também seriam executados. A senha de compartilhamento de dados utilizada no celular da vítima, "megera77", foi um dos indícios que conectou o PM ao crime, sendo o termo uma forma pejorativa pela qual ele se referia à ex-mulher.
A motivação do crime teria sido uma disputa pela guarda do filho de nove anos do casal. A polícia acredita que Silvana foi morta por asfixia na noite de 24 de janeiro, enquanto seus pais foram assassinados no dia seguinte por não acreditarem na versão do acidente e confrontarem o ex-genro. Embora os corpos ainda não tenham sido localizados, a Polícia Civil afirma que as provas técnicas, incluindo a quebra de sigilo de 10 terabytes de dados e a descoberta de roteiros do crime salvos em blocos de notas, são contundentes para o indiciamento. As defesas dos envolvidos alegam que as conclusões são hipóteses investigativas unilaterais e que ainda não tiveram acesso integral ao conteúdo do inquérito.

Nenhum comentário:
Postar um comentário