Elisa Fernandez propõe uma reflexão sobre como as escolhas éticas se revelam justamente quando deixam de ser convenientes no cotidiano das relações
Por Elisa Fernandez
Cara leitora,
Dia desses, me deparei com um post no Instagram de uma psicóloga conhecida falando sobre ética. Ela encerrava com uma frase que não saiu mais da minha cabeça: “É no limite da conveniência que a ética realmente começa.”
Fiquei dias ruminando isso até entender que não era só uma frase bonita. Era um incômodo. E que definitivamente valia trazer para nossa reflexão.
Falar sobre ética é entrar em um território amplo demais para caber em definições confortáveis. E talvez seja justamente aí que mora sua potência. A ética não é um conceito fechado. É um território vivo, que atravessa quase tudo: relações, pessoais e profissionais, decisões, escolhas silenciosas e, principalmente, aquelas que ninguém vê.
A ética nasce dentro da Filosofia, mas não fica lá. Ela escorre para o cotidiano, se infiltra nas relações, ganha forma nas pequenas decisões e, muitas vezes, se disfarça de justificativa.
Talvez por isso exista uma tentativa constante de simplificá-la. De transformar ética em uma régua, em algo binário: certo ou errado. Pode ou não pode. Branco ou preto.
Mas a vida não funciona assim. Não é?
Na prática, a ética se parece muito mais com um campo de tensão. Um espaço onde valores entram em conflito, onde interesses se cruzam e onde, nem sempre, existe uma resposta limpa e de bate-pronto.
E é nesse ponto que a frase volta.
Porque ser ético quando é conveniente não exige esforço. Exige alinhamento. O desafio começa quando a escolha ética custa tempo, dinheiro, reconhecimento, vantagem.
Quando ninguém está olhando. Quando seria mais fácil flexibilizar. Quando existe uma boa justificativa pronta.
Correio do Povo

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