Quem são os petistas gaúchos que atuaram pela aliança com o PDT

 


Apesar da narrativa de que a decisão de substituir a pré-candidatura de Edegar Pretto pela de Juliana Brizola (PDT) partiu exclusivamente da direção nacional do PT, lideranças locais do partido no Rio Grande do Sul tiveram papel decisivo na articulação que resultou na intervenção e no apoio à pré-candidata trabalhista.Segundo deputados de diferentes correntes, a motivação principal não foi o fortalecimento da reeleição de Lula nem o alinhamento programático com o PDT. A tese que prevaleceu foi eleitoral: a de que uma aliança com Juliana Brizola poderia ajudar o deputado federal Paulo Pimenta (PT) a eleger-se senador, mesmo abrindo mão da cabeça de chapa.O grupo de Pimenta, ligado à corrente Socialismo em Construção (SoCo), atuou de forma discreta ao longo dos últimos meses. Mantiveram contatos com o PDT, defenderam a tese junto ao comando nacional e fizeram chegar à imprensa argumentos favoráveis à desistência de Pretto. A estratégia central é priorizar a vaga ao Senado em detrimento do governo do Estado. A ideia é que o primeiro voto da esquerda para o Senado vá para Manuela D’Ávila (PSol), permitindo que Pimenta se apresente como um nome capaz de atrair também o centro político.Escalada da crise e movimentos públicosA resistência de Pretto em recuar e as cobranças do PDT acabaram forçando o grupo de Pimenta a dois movimentos mais explícitos: a divulgação de um documento durante o feriado e o pedido para que o Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) nacional incluísse o tema na reunião desta terça-feira (7). O GTE emitiu nota favorável à aliança, que foi referendada pela executiva nacional.A executiva estadual do PT deve se reunir nesta quarta-feira para formalizar posição alinhada à nacional. Pretto havia pedido a convocação do diretório gaúcho, mas a realização da reunião ainda é considerada incerta.Divisão interna do PT gaúchoA fragmentação do partido no RS foi fator decisivo para o desfecho. As principais correntes e suas posições aproximadas no diretório estadual são:
  • Socialismo em Construção (SoCo) – grupo de Paulo Pimenta: 24% → favorável à aliança com o PDT.
  • Democracia Socialista (DS) – 18% → uma das mais atuantes na defesa da candidatura própria de Pretto.
  • Articulação de Esquerda – 15% → defendeu candidatura própria (liderada por Dionilso Marcon e Ary Vanazzi).
  • Grupo dos Pretto – 11% → favorável à candidatura própria.
  • Resistência Socialista (Henrique Fontana) – cerca de 10% → preferia aliança, com Pretto como vice.
  • Avante (Maria do Rosário) – cerca de 10% → defendeu Pretto internamente.
  • Construindo um Novo Brasil (CNB) – ligada a Lula: 6% → favorável à aliança.
A intervenção tende a dividir o PT gaúcho praticamente ao meio. Uma ala deve cruzar os braços ou apoiar eventual candidatura do PSol, enquanto outra deve integrar a campanha de Juliana Brizola. Os mais pragmáticos já discutem uma recomposição da chapa sem o PSol, com o PT ficando com as duas vagas ao Senado e o PSB indicando o vice de Juliana.

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