São Paulo, 5 de abril de 2026 — A filha da policial militar Gisele Alves Santana, assassinada em fevereiro, começará a receber pensão por morte destinada a filhos de servidores públicos. O benefício será pago a partir da próxima quarta-feira (8 de abril) pela São Paulo Previdência (SPPrev).Gisele foi morta com um tiro na cabeça na manhã de 18 de fevereiro, no apartamento onde vivia com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto. O pedido do benefício foi protocolado em 6 de março.Geraldo Neto, de 53 anos, está preso preventivamente desde 18 de março, acusado de feminicídio e fraude processual. Ele nega o crime e sustenta a versão de que Gisele cometeu suicídio após ele manifestar desejo de divórcio. O oficial responde ao processo tanto na Justiça Militar quanto na Justiça Comum.A criança tem direito à pensão até completar 18 anos. A SPPrev informou que o processo foi analisado e aprovado conforme os trâmites regulares.Transferência para a reserva e aposentadoriaNa última quinta-feira (2), a Polícia Militar transferiu o tenente-coronel para a reserva remunerada, a pedido do próprio oficial. A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado e garante a ele, em tese, proventos integrais.No entanto, como ele está preso preventivamente, o salário foi imediatamente suspenso, conforme determina o decreto-lei paulista nº 260/1970. Segundo o secretário executivo da Segurança Pública, coronel Henguel Ricardo Pereira, policiais militares presos têm o pagamento cancelado de imediato.Mesmo na reserva, Geraldo Neto não receberá a aposentadoria enquanto permanecer detido. A Corregedoria da PM abriu processo de expulsão, que continua em andamento. Se for expulso da corporação, ele perderá definitivamente a patente, o cargo e os benefícios.Entenda o casoGisele Alves Santana foi encontrada morta no apartamento do casal, com apenas o marido presente. Inicialmente registrado como suicídio, o caso foi reclassificado para morte suspeita após a família da vítima denunciar um relacionamento abusivo, marcado por ciúmes excessivos e controle.Perícia e investigações apontaram indícios de feminicídio, entre eles:
- Marcas de unha no pescoço e no rosto da vítima;
- Sangue de Gisele na bermuda e na toalha de Geraldo Neto;
- Posição do corpo e da arma que sugerem manipulação da cena do crime;
- Mensagens extraídas dos celulares que revelam um relacionamento de submissão e brigas constantes.

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