Universidades gaúchas contestam notas baixas no Enamed e pedem esclarecimentos ao MEC

 


Após a divulgação da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), três universidades gaúchas que receberam nota 2 – considerada insuficiente pelo Inep/MEC – se manifestaram oficialmente.

Ulbra

A Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), sediada em Canoas, afirmou que os resultados indicam uma “possível divergência entre os critérios aplicados e o resultado publicado”. A instituição destacou que os dados objetivos apontariam para uma pontuação compatível com nota mínima 3, e já solicitou esclarecimentos técnicos ao MEC. A Ulbra reiterou compromisso com a transparência e o aprimoramento contínuo de seus cursos.

Univates

A Univates, de Lajeado, declarou que a nota não reflete os insumos divulgados pelo próprio Inep em dezembro, nem as avaliações positivas que o curso de Medicina tem recebido. A universidade informou que abriu demanda formal junto ao Inep para verificar o cálculo e, se necessário, corrigir a nota.

Atitus

A Atitus Educação ressaltou que o desempenho no exame, isoladamente, não representa a qualidade do curso. A instituição lembrou que sua graduação em Medicina já recebeu conceito máximo do MEC, considerando infraestrutura, projeto pedagógico, corpo docente e desempenho institucional. Além disso, no processo de recredenciamento institucional, também obteve nota máxima.

Resultados gerais do Enamed

  • 351 cursos avaliados em todo o país.

  • 243 cursos (69,2%) obtiveram notas entre 3 e 5, consideradas satisfatórias.

  • 107 cursos (30,5%) ficaram com notas 1 e 2, classificadas como não proficientes.

  • Apenas um curso não foi avaliado por baixo número de concluintes.

No Rio Grande do Sul, os melhores desempenhos foram da PUCRS e da UFCSPA, ambas de Porto Alegre, que alcançaram nota máxima (5).

Participação

O exame envolveu 89.024 estudantes e profissionais de Medicina, sendo 39.258 concluintes. Mais de 28 mil eram de instituições privadas e cerca de 9 mil de instituições públicas (federais, estaduais e municipais).

Posição do MEC

O ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que o objetivo do exame é garantir qualidade na formação médica e que as medidas cautelares serão aplicadas em processo de transição, sem prejudicar os alunos.

Sanções previstas

Dos 304 cursos regulados pelo governo federal, 99 ficaram nas faixas 1 e 2. Essas instituições terão 30 dias para apresentar defesa antes da aplicação das sanções, que incluem:

  • Proibição de aumento de vagas;

  • Redução da oferta;

  • Suspensão do Fies e do ProUni;

  • Em último caso, suspensão do ingresso de novos alunos.

As medidas valerão até o próximo Enamed, previsto para outubro de 2026.

📌 Em resumo: Ulbra, Univates e Atitus contestam as notas baixas recebidas no Enamed, alegando inconsistências e defendendo a qualidade de seus cursos. O MEC, por sua vez, reforça que o exame busca elevar o padrão da formação médica no país e prevê sanções para cursos com desempenho insatisfatório.

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