Litoral Norte: crescimento imobiliário expõe desafios no saneamento básico

 


O Litoral Norte do Rio Grande do Sul viveu, nas últimas décadas, um intenso processo de expansão imobiliária e populacional, impulsionado tanto por moradores permanentes quanto por veranistas que buscam aproveitar a região durante as férias. Esse crescimento socioeconômico trouxe reflexos diretos na infraestrutura, especialmente no saneamento básico.

Avanços e desafios

Entre 1999 e 2026, o Correio do Povo acompanhou os impactos da falta de balneabilidade em diversas praias gaúchas e os investimentos realizados para melhorar o tratamento de esgoto. As obras reduziram significativamente os períodos em que balneários eram considerados impróprios para banho por semanas consecutivas.

Apesar dos avanços, a demanda crescente de turistas e moradores permanentes ainda pressiona os sistemas de saneamento. Já em janeiro de 1999, o então presidente da Fepam, Cláudio Langone, destacava que a melhora da qualidade da água estava diretamente ligada às obras de infraestrutura.

Casos críticos

Naquele mesmo ano, áreas hoje turísticas e economicamente relevantes sofriam com a presença de coliformes fecais:

  • Foz do rio Tramandaí, entre Imbé e Tramandaí

  • Foz do rio Mampituba, entre Torres (RS) e Passo de Torres (SC)

Em Torres, a situação começou a mudar em 2002, com o anúncio da construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Mampituba pela Corsan. Até a conclusão da obra, em dezembro de 2003, problemas persistiram, como a interdição da Praia Grande.

Resultados da ETE Mampituba

A inauguração da unidade beneficiou cerca de 60% da população urbana de Torres, reduzindo drasticamente os índices de coliformes fecais na foz do rio Mampituba — de 16 mil para 1,6 mil por 100 ml de água. O superintendente da Corsan à época, Jorge Arbello, destacou que o investimento foi fundamental para recuperar a balneabilidade, mas alertou para a necessidade de fiscalização contra construções irregulares.

Persistência dos problemas

Mesmo com os avanços, em janeiro de 2005, novos episódios de contaminação voltaram a ser registrados tanto na foz do Tramandaí quanto na do Mampituba. O coordenador-geral da Fepam no Litoral Norte, Mattos’Alem Roxo, reforçou que o cenário evidenciava a necessidade de ampliar as redes de coleta de esgoto e manter investimentos contínuos.

📌 Em resumo: o crescimento imobiliário e populacional do Litoral Norte impulsionou investimentos em saneamento básico, que reduziram os problemas de balneabilidade. No entanto, a alta demanda de turistas e moradores ainda exige novas obras e fiscalização constante para garantir a qualidade das águas.

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