A POBREZA COMO ATIVO POLÍTICO

 Por Alex Pipkin, PhD em Administração

 

O progressismo construiu sua autoridade moral sobre uma contradição rara. Seus apologistas afirmam governar para erradicar a pobreza, mas dependem politicamente de sua permanência. Não é desvio; é modelo de poder cuja estabilidade exige gestão contínua da carência.
Na biologia evolutiva, o parasita bem-sucedido não elimina o hospedeiro. Mantê-lo enfraquecido garante sobrevivência; matá-lo seria autodestruição. 
Transposta à política social, essa lógica não é metáfora; é funcional. Há também uma dimensão ética que a sustenta, ou seja, um altruísmo distorcido que transforma dependência em qualidade moral e autonomia em ameaça.
A economia chama de “poverty trap” o conjunto de políticas que aprisiona indivíduos em baixa renda, baixa produtividade e baixa autonomia. Transferências permanentes sem incentivos claros. Programas sem saída. O progressismo denomina isso de justiça social. Recompensar a dependência é perpetuá-la.
Programas nascem como exceção e morrem como regra. Emergências se eternizam. A autonomia econômica vira suspeita de ameaça. O pobre ideal não é o que prospera, mas o que permanece elegível: forte o suficiente para sobreviver, fraco o bastante para agradecer. 
Como ironizava Roberto Campos, nada é mais duradouro que um programa estatal temporário.
A elite progressista administra à distância, protegida de custos e blindada de consequências. Quando não há preço pelo erro, o erro se consolida. Corrupção deixa de ser anomalia; indisciplina fiscal deixa de ser falha. Ambas se tornam rotina. A ética se corrompe, fazendo com que o fraco seja celebrado, o forte demonizado; o dependente, necessário; e o autônomo, questionável.
O progressismo não fracassa apesar da pobreza persistente. Funciona graças a ela. Seu maior medo não é a desigualdade. É a autonomia. A pobreza deixa de ser problema e se torna recurso. Mais que isso, ele sequestra valores, redefine qualidade moral e transforma o dependente em figura central da ordem política.
A política social, longe de justiça, revela-se pelo que sempre foi e é. É um mecanismo de poder estruturado sobre dependência, ética corrompida e temor da autonomia. 
Quem acredita que a pobreza é acidente ainda não despertou. Quem entende sua função vê, por trás da retórica, o coração frio e calculista do sistema.

Pontocritico.com

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