RS projeta safra de até 800 milhões de quilos de uva na vindima

 


Às vésperas da vindima, concentrada entre janeiro e fevereiro, o Rio Grande do Sul deve colher entre 750 milhões e 800 milhões de quilos de uva, volume de 5% a 10% superior ao ciclo anterior. A estimativa é do presidente do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do RS (Consevitis-RS), Luciano Rebellatto, que aponta atraso de cerca de 15 dias na colheita devido ao clima. A qualidade final dependerá da incidência de sol nas próximas semanas.

Produção e preços

Apesar da boa previsão, Rebellatto lembra que já houve safras maiores, como em 2000 e 2021, quando a produção chegou a 950 milhões de quilos. Para este ano, o setor estipulou preço mínimo de R$ 1,80 por quilo, enquanto o custo de produção está em R$ 1,82. Com produtividade maior, estimada em 25 toneladas por hectare, a expectativa é de lucratividade, mesmo com preço mínimo abaixo do custo.

Em 2025, o piso foi de R$ 1,69 e o mercado praticou valores próximos a R$ 2. Para 2026, a projeção é de preços entre R$ 1,80 e R$ 1,85, especialmente para a uva Isabel 15 graus.

Perfil da produção

O RS responde por 90% da produção nacional de uvas, com destaque para municípios como Flores da Cunha, Bento Gonçalves, Farroupilha, Caxias do Sul e Garibaldi. Entre 80% e 85% da produção é de variedades híbridas ou americanas, destinadas principalmente a sucos (cerca de 60%) e vinhos de mesa.

O mercado consumidor concentra-se no centro do país. As exportações ainda são tímidas, mas há esforços para ampliar vendas externas, sobretudo de suco de uva e espumantes, produtos com maior aceitação internacional.

Desafios e concorrência

O setor acompanha com atenção o acordo Mercosul-União Europeia, que pode facilitar a entrada de vinhos europeus no Brasil com isenção de impostos. “Eles vão chegar mais baratos e competir diretamente com os nossos vinhos”, alerta Rebellatto.

O consumo interno de vinho no Brasil é considerado baixo, cerca de 2,1 litros per capita, contra 30 a 40 litros em países europeus. Para enfrentar a concorrência, o dirigente sugere medidas de proteção, como restrições de volume de entrada ou subsídios governamentais.

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