Acordo Mercosul-União Europeia abre oportunidades para o agro brasileiro, apesar de barreiras

 


O tratado de livre comércio entre Mercosul e União Europeia pode se tornar uma das maiores oportunidades de acesso a mercados de alto poder aquisitivo para o agronegócio brasileiro. A avaliação é do analista de Relações Internacionais da Farsul, Renan Hein dos Santos, que destaca o potencial de entrada em um bloco com cerca de 700 milhões de consumidores, mesmo diante de resistências e medidas protecionistas adotadas unilateralmente pelos europeus.

Produtos beneficiados

Segundo Santos, mesmo com cotas de entrada, diversos produtos terão redução de tarifas, como carne bovina, aves, suínos, açúcar, etanol, arroz, mel, milho e frutas. “São muitos produtos que se beneficiam de maneiras diferentes”, afirmou.

Salvaguardas e restrições

A Farsul aponta que a Comissão Europeia estabeleceu tetos para importações de carne, aves, arroz, mel, ovos e etanol, prevendo intervenções em caso de desestabilização do mercado. Além disso, novas regras permitem investigações se os preços do Mercosul ficarem 8% abaixo dos europeus, acompanhados de aumento súbito das importações.

Há também preocupações ambientais e sanitárias. A proibição de substâncias como o tiofanato-metilo afeta exportações de frutas cítricas, mangas e papaias. Já a Lei Antidesmatamento da UE é criticada por não considerar a rigidez da legislação ambiental brasileira, podendo impactar cadeias como carne bovina, soja, café e couro.

Competição e liberalização

Alguns segmentos nacionais, como vinhos e lácteos, podem enfrentar maior concorrência com a entrada de produtos europeus. No entanto, Santos ressalta que outros setores são altamente competitivos e terão espaço no mercado europeu.

Do lado do Mercosul, 31% das alíquotas agropecuárias serão zeradas imediatamente. Na União Europeia, 39% das linhas tarifárias terão tarifa zero já na entrada em vigor do acordo.

Benefícios práticos

Entre os ganhos previstos estão:

  • Carne bovina: cota de 99 mil toneladas com tarifa de 7,5% e eliminação da tarifa da Cota Hilton.

  • Aves: cota de 180 mil toneladas com tarifa zero.

  • Frutas: eliminação completa de tarifas para abacates, limões, melões e maçãs.

  • Arroz e mel: cotas de 60 mil e 45 mil toneladas, respectivamente, com tarifa zero. No total, cerca de 93% das linhas tarifárias da UE estarão isentas em até dez anos.

Relação comercial atual

A União Europeia é o segundo maior destino do agronegócio brasileiro, atrás da China. Em 2025, o bloco comprou US$ 25,21 bilhões em produtos agro, representando 14,9% das exportações brasileiras. Os principais itens foram café verde (US$ 7,19 bilhões), farelo de soja (US$ 4,02 bilhões) e fumo não manufaturado (US$ 1,09 bilhão).

Na comparação com 2024, as vendas ao bloco cresceram 8,6%, com destaque para café verde (+28,8%), carne bovina in natura (+89,2%), milho (+94,7%), fumo (+25,4%) e açúcar (+44,2%). A União Europeia também é o segundo maior cliente do agronegócio gaúcho, com participação de 14% nas exportações do Estado.

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