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O Protocolo de Kyoto

A entrada em vigor do Protocolo de Kyoto é um passo à frente para a conscientização internacional sobre a importância da proteção ao meio ambiente. O objetivo do protocolo, ratificando por 141 países, é controlar os efeitos de gases que, ao aprisionarem calor na atmosfera, aquecem o planeta. Estudos científicos estimam que o chamado efeito estufa, num processo gradativo, poderá provocar alterações do clima, cujo degelo das calotas polares seria o resultado catastrófico mais sério. Embora todos os cálculos quanto ao aquecimento do planeta assegurarem que tal hipótese é remota, a redução gradativa da emissão dos gases produzidos pela queima de fósseis é medida de segurança recomendada pela ciência. O lamentável é que os Estados Unidos, responsáveis por um quarto das emissões poluentes, recusem-se a ratificar o protocolo, mantendo a posição firmada pelo presidente George W. Bush quando da investidura em seu primeiro mandato, em 2001. mesmo assim, governadores de quase a metade dos e...

Chávez, novo Fidel?

A política, em qualquer lugar onde se exercite a mutação democrática, tende a ser ondulante: o réprobo de hoje, e a história está aí para confirmar, pode ser o herói de amanhã e vice-versa. Pois este senhor Hugo Chávez, ainda há pouco tempo quase apeado pela opinião pública do governo da Venezuela, vai tomando o papel de líder sul-americano disputado com Lula. Sem sucesso, para citar o episódio mais recente, no Fórum Social Mundial, foi estrondoso. No penúltimo dia do Fórum, sendo um dos oradores escalados, recolheu aplausos como ninguém antes recolhera. Falou coisas óbvias para o congresso, nada de novo em termos de políticas sociais e de integração, tudo dito e repetido por outros intérpretes, inclusive pelo próprio Lula, então de partida para Davos, onde falaria a outros senhores, estes representantes do capitalismo. Lula, por isso, colheu algumas vaias, de que passou recibo na base do “paz e amor”, que cultiva com maestria. Voltando porém a Chávez: além da oratória de cunho s...

A difícil tarefa de explicar o horror

Depois da morte de mais de 150 mil pessoas, as religiões tentam descobrir um significado para a tragédia PETER GRAFF Reuters/Londres Sempre que acontece um desastre, uma tragédia, a pergunta é feita. Dias atrás, ela foi repetida mais uma vez, agora na boca de uma mulher idosa em um vilarejo destruído do Estado de Tamil Nadu, no sul da Índia Por que fez isso conosco, Deus? O que fizemos de errado? Chorava ela. Os tsunamis de 26 de dezembro, ondas gigantes assassinas que mataram mais de 150 mil pessoas, desafiam as grandes religiões do mundo. A tragédia atingiu indiscriminadamente muçulmanos indonésios, hinduístas indianos, budistas tailandeses e do Sri Lanka, além de cristãos e judeus que faziam turismo nas praias do Oceano Índico. Nos templos, mesquitas, igrejas e sinagogas de todo o mundo, pede-se aos religiosos que expliquem: como um Deus benevolente pode lançar tanto horror contra pessoas comuns? Alguns líderes religiosos descreveram a destruição como parte do plano de Deus, como pr...

Suicídio – Uma triste epidemia

A maior causa de mortes violentas no mundo não é a guerra nem a criminalidade, mas o suicídio. O maior número de mortes é registrado nos países da antiga União Soviética. Recordista mundial: Lituânia, com 51,6 por 100 mil habitantes, superando os registros na Bielo-Rússia, na Estônia e no Cazaquistão. O 14º lugar, com 17 por 100 mil, é ocupado pela França. Um dado é comum a todos os países: são as pessoas idosas as que mais se matam, em número três vezes maior do que os jovens de 15 a 24 anos. A doença, a precariedade social e a solidão são os principais fatores. O número mundial de suicídios se situa em volta de 1 milhão de mortes por ano. Levando-se em conta a evolução demográfica, estima-se que chegue a 1,5 milhão em 2020. Para deter a epidemia, cogita a OMS de providenciar ajuda psicológica e evitar a venda de pesticidas, meio mais usado pelos suicidas, especialmente os chineses. Fonte: Correio do Povo, Flávio Alcaraz Gomes. 22 de dezembro de 2004, página 4.

100 anos de imigração judaica no Rio Grande do Sul

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Exposição resgata saga de 100 anos Documentos, objetos e relatos mostram a história da imigração judaica para o Rio Grande do Sul As comemorações do centenário da primeira imigração judaica organizada da Europa para o Brasil propiciaram o resgate da história desse povo nas terras de além-mar. Resumo da saga dos judeus no Estado, a exposição “Uma terra para todos:100 anos da imigração no Rio Grande do Sul” está aberta à visitação até o dia 18, no Museu Nacional de Migrações Judaicas. As pesquisas começaram em 2003 e resultam da parceria entre o Memorial do Ministério Público e a Federação Israelita do Rio Grande do Sul (Firgs). A curadora da mostra, Andréa Cogan, diz que o objetivo é propiciar ao público leigo o acesso a essa parte da história gaúcha, além de trazer aos judeus o resgate da sua cultura. Quem visitar o museu poderá ver documentos do Instituto Cultural Judaico Marc Chagalli e objetos de famílias da comunidade, como cartas na língua ídiche, um salvo-conduto da década de 40 ...

RS desenvolve variedades de bananas resistentes

Duas variedades resistentes à sigatoka negra deverão ser desenvolvidas pela Fepagro no RS. Conforme o coordenador do Profruta, Afonso Hamm, as variedades Honduras FHIAO 1 e Asía THAP MAEO são materiais genéticos já testados em SC. A Honduras já está disponível pela Epagri. A praga se manifesta nas folhas e não oferece risco ao consumidor. “No RS, 75% do produto plantado é da variedade prata, que tem alta resistência à sigatoka”, informou. Fonte: Página 18 de Correio do Povo de 5 de dezembro de 2004.

O amigo ''velho''

O competente professor de jornalismo da ULBRA, Luiz Artur Ferraretto lançou o livro “Rádio no Rio Grande do Sul”. Abrange os anos 20, 30 e 40 e muito bem pesquisadas. Numa delas, a participação de Érico Veríssimo em pioneiro programa infantil. Valendo-se do depoimento de Maurício Rosemblatt, grande amigo de Érico Ferraretto conta que o escritor saia correndo da Livraria do Globo, subia a Borges de Medeiros e as escadarias do viaduto e chegava ao microfone da PRH-2, da Rádio Farroupilha, onde improvisava histórias para as crianças que apinhavam o estúdio da emissora. Érico era o “amigo Velho” w a gurizada formava o “Clube Os 3 Porquinhos”. Sucesso absoluto. Em 1937, porém, o Estado Novo, quis submeter à censura as inocentes histórias. Érico, sempre altaneiro e independente, recusou, tirando-o do ar. Fonte: Flávio Alcaraz Gomes, Correio do Povo, página 4 de 17 de novembro de 2004.

Uma homenagem ao mestre Salvador Dalí

O Centro Cultural Brasil Espanha, a Embaixada da Espanha no Brasil e a Agência Espanhola de Cooperação Internacional Salvador Dalí, através da mostra “Dalí por artistas daqui”. A exposição pode ser visitada até 23 de novembro, de segunda a quinta, das 14h às 19h, na rua Felipe Camarão, 71. São 92 artistas, entre eles Zorávia Battiol, Mbel Fontana, Estelita Branco, Eunice Lima, Fátima Siqueira Borges, Marilice Costi, Lecia Maria Bohne Eduardo Rangel Baptista, que procuram retratar um pouco do magnífico artista espanhol, um dos mais conhecidos do século XX. Nascido em 1904, na cidade catalã de Figueires, Dalí foi atraído pelo surrealismo a partir de 1927. O movimento, que iniciou em Paris, tinha sido influenciado pelas teorias de Freud. Dalí criava obras ditadas pelo inconsciente através do sonho e, de 1929 a 1939, pintou suas obras mais famosas. Salvador Dalí faleceu em 20 de janeiro de 1989, aos 84 anos de idade e seu corpo embalsamado está enterrado em uma tumba sob a cúpula do Museu...

Terra sem História, por Voltaire Schilling*

“ a partida para o Alto Parus é ainda o meu maior, o meu mais belo e mais arrojado ideal. Estou pronto à primeira voz. Partirei sem temores... nada me demoverá de um tal propósito” Euclides da Cunha, Carta de Guarujá 6/7/1904. O primeiro encontro dos dois, de Euclides da Cunha com o Barão do Rio Branco, deu-se no palacete Westfália, em Petrópolis, em julho de 1904. Local para onde o chanceler se retirava em descanso. Quem levou o escrito até a presença do Juca Paranhos, como o barão era conhecido em moço, foi um diplomata, Domício da Gama, por igual um intelectual. Apesar da timidez, dele, de Euclides da Cunha, frente a Rio Branco, àquela altura um verdadeiro monumento nacional, os dois conversaram por cinco horas. O escritor só se viu liberado às duas da madrugada. Ambos estavam no auge da fama, Euclides, com a publicação de Os Sertões, em 1902, denunciara a guerra do governo brasileiro contra os caboclos da Bahia; o outro, pelo Tratado de Petrópolis, de 1903, evitara que os caboclo...

Presídio Central / Acredite ou não

Na bela obra “Os viajantes olham Porto Alegre”, de Sérgio da Costa Franco e Valter Antônio Noal, o alemão Victor W. Esche, que aqui esteve provavelmente em 1888, descreve nossos principais prédios e se admira, dizendo que “... o estrangeiro fica particularmente comovido pelo fato de ser o presídio a construção mais luxuosa da cidade e também a de maior bom gosto, construído em estilo de castelo, cercado externamente por altos muros. Quanto aos presidiários, 'para um alemão acostumado à disciplina militar', é um espetáculo engraçado vê-los perambulando pelas ruas da cidade em seus trajes de presídio, com as correntes tilintando e desaparecerem dentro de um botequim, enquanto o policial que está vigiando, se não for convidado, espera pacientemente à porta, até o sr. Prisioneiro se fortaleça suficientemente”. Fonte: Flávio Alcaraz Gomes, Correio do Povo, página 4 de 4 de novembro de 2004.