Trump está arrependido
Basta ver que ele está louco por terminar a guerra, porém, sem conseguir
Jurandir Soares
“Quem dá as cartas sou eu!” A advertência foi feita pelo presidente dos Estados Unidos ao seu parceiro de Israel. E remete ao fato de que Donald Trump foi persuadido por Benjamin Netanyahu a atacar o Irã. E agora ele, Trump, demonstra estar arrependido da aventura em que se meteu. Basta ver que está louco por terminar a guerra, porém, sem conseguir. Quer um acordo para dizer que venceu.
Até poucos dias notava-se que a vontade de terminar a guerra era mútua, tanto por parte dos norte-americanos como dos iranianos. Porém, o que se observa é que o regime dos aiatolás percebeu que a extensão dos combates está causando um desgaste a cada dia maior para os EUA, pelos reflexos na economia. Cada dia do Estreito de Ormuz fechado é mais um dia de derrota para Trump.
ENDURECIMENTO
Os iranianos também veem um desgaste de Netanyahu com a guerra que trava contra o Hezbollah no Líbano. Já, ao contrário, o regime dos aiatolás se fortaleceu com a guerra. Segmentos que eram contra passaram a apoiá-lo diante da agressão externa. E o Irã cresceu como um ator da geopolítica regional. Bombardeou bases dos EUA em países do Golfo Pérsico. Aliás, não só bases norte-americanas como instalações importantes desses países, como aeroportos e refinarias de petróleo, como aconteceu no Kuwait, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar e Barhein. Mostrou a esses países que eles dão apoio ao governo estadunidense, mas não tem a devida proteção por parte de Washington.
PEDIDO
Vejam a que ponto chegou a situação, que o Irã lançou, neste domingo, uma bateria de mísseis contra Israel e Trump pediu a Netanyahu que não respondesse. Imagine-se o que a população israelense pensaria sobre o fato de o país ser agredido e não revidar, porque seu governante está obedecendo a uma ordem externa. Porém, o dirigente israelense, que há poucos dias Trump chamou de ingrato, foi mais longe: não acatou o pedido do norte-americano e, nesta segunda-feira, desfechou um ataque contra uma indústria petroquímica iraniana. Trump reagiu mais uma vez: “Israel e Irã devem parar de atirar imediatamente”, escreveu na rede Truth Social. Em um post anterior, o republicano afirmou que as negociações estão avançando, embora “sujeitas à ignorância ou estupidez que atrapalham o caminho”. Porém, desta vez acataram o pedido do estadunidense. Por volta de meio-dia, pelo horário de Brasília, 6h em Israel, veio a informação de que as partes haviam acertado suspender os combates.
CONDICIONAMENTO
A fragilidade deste cessar-fogo está no fato de o Irã anunciar que o romperá caso Israel volte a atacar no Líbano. E este se torna o problema maior, porque o interesse explícito dos governantes israelenses é destruir ao máximo tudo que diga respeito ao Hezbollah. E este, como se sabe, está instalado em território libanês. Vale lembrar que a recente troca de ataques ocorreu após bombardeios israelenses contra redutos do Hezbollah, apoiado pelo Irã, em Beirute durante o fim de semana. Foi este o motivo de Teerã ter atacado Israel, como retaliação. O país persa tem afirmado repetidamente que qualquer acordo com Washington para encerrar o conflito deve incluir a interrupção da campanha militar israelense no Líbano. E aí é que se tem a maior dificuldade para ser dado um fim ao conflito.
PERIGO
Esta determinação de Netanyahu em caçar o Hezbollah é que torna mais frágil qualquer acordo, pois o Irã condiciona o fim da guerra ao término dos ataques no Líbano. Israel, por sua vez, entende que a questão com Teerã deve ser tratada separadamente. E, para complicar um pouco mais, os Houthis do Iêmen anunciaram a proibição da navegação de embarcações israelenses pelo Mar Vermelho e reivindicaram o primeiro ataque com mísseis contra Israel desde o cessar-fogo de abril. Ou seja, cenário pouco animador para que Trump consiga alguma coisa que possa anunciar como vitória.
Correio do Povo
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