Eduardo Bolsonaro atuou como produtor em filme com recursos de Vorcaro, diz site

 Ex-deputado teria controle orçamentário da obra sobre seu pai, conforme The Intercept



O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) exerceu a função de produtor-executivo no filme “Dark Horse”, sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, detendo controle sobre as decisões orçamentárias da obra, de acordo com reportagem publicada nesta sexta-feira pelo The Intercept.


A reportagem dá um novo desdobramento envolvendo os filhos de Bolsonaro. Ainda esta semana, o Intercept publicou áudios do senador Flávio Bolsonaro (PL) pedindo recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro.


A matéria de hoje sustenta, com base em mensagens e contratos acessados, que Eduardo foi peça-chave na gestão do projeto “Dark Horse”. A produção é uma cinebiografia que narra a caminhada política de Jair Bolsonaro.


Conforme o Intercept, um contrato de novembro de 2023, com assinatura digital de Eduardo, aponta a norte-americana GoUp Entertainment como a produtora responsável. O documento indica que tanto Eduardo Bolsonaro quanto o deputado Mario Frias (PL-SP) atuariam na produção-executiva do longa-metragem.


As atribuições previstas no contrato envolvem a definição de estratégias para o financiamento da obra, elaboração de documentos para investidores e a busca por recursos, o que inclui desde benefícios fiscais e patrocínios até ações de product placement.


Adicionalmente, uma minuta de aditivo contratual de fevereiro de 2024 lista Eduardo Bolsonaro explicitamente como financiador do projeto. O Intercept ressalta, contudo, que não foi possível confirmar se este termo aditivo chegou a ser formalmente assinado pelas partes.


O texto aponta ainda diálogos entre o parlamentar e o empresário Thiago Miranda. Nas mensagens, Eduardo orienta que o aporte financeiro ideal deveria ter origem nos Estados Unidos para evitar burocracias e lentidão em transferências internacionais.


“O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos”, afirmou Eduardo.

Flávio se pronunciou sobre Eduardo

Flávio reafirmou hoje que Eduardo não recebeu recursos do banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o senador, Eduardo colocou dinheiro no filme sobre Bolsonaro.


"Ele não fez gestão de dinheiro. Pelo contrário, foi uma pessoa que colocou dinheiro no bolso dele nesse projeto. E, em função do que o Eduardo conseguiu fazer lá atrás, no começo, há dois anos, é que a gente pôde ter um roteirista padrão Hollywood, como o Cyrus Nowrasteh. Foi o Eduardo que conseguiu com recursos próprios naquele momento", declarou o senador, em entrevista à CNN Brasil.

Flávio Bolsonaro também minimizou seu papel na produção do filme sobre o ex-presidente a apenas procurar recursos. "Quem executa todas as coisas, quem contrata ator, quem aluga estúdio, quem faz todas as despesas é essa produtora. Então a produtora faz um orçamento, faz uma negociação com o ator, por exemplo, faz uma negociação com o roteirista", disse. Segundo ele, cabe à produtora enviar os contratos e o "fundo autoriza ou não".

Correio do Povo

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