Contaminação eleitoral da pauta climática já ocorreu e irá se intensificar na campanha
Governo do Estado lançou, nesta quarta-feira, o programa Estadual de Preparação para Eventos Extremos (Prepara RS – El Niño)
Taline Oppitz
O governo do Estado lançou, nesta quarta-feira, o programa Estadual de Preparação para Eventos Extremos (Prepara RS – El Niño). O movimento visa a antecipação de ações, agora em função do El Niño, que deve se intensificar a partir de setembro, com uma série de iniciativas envolvendo auxílio aos municípios. A ação representa ainda um reforço das já colocadas em prática, por diferentes instâncias governamentais, a partir da tragédia das enchentes de maio de 2024, que atingiram o Rio Grande do Sul.
Durante o lançamento do programa, o governador Eduardo Leite (PSD) fez menção à exploração eleitoral da pauta dos eventos climáticos. "Estamos vivendo um período em que, especialmente, ocorrerão discussões sobre isso. Respeito o tempo do momento eleitoral que existe aí pela frente, mas a percepção que tenho é que quem quiser atalhos, nos levará para um caminho ruim. O que entrega o resultado é a persistência no caminho certo. Fazer os projetos, garantir projetos executivos adequadamente elaborados", afirmou Leite.
A exploração eleitoral do tema já está ocorrendo antes mesmo do início oficial da disputa e certamente será ampliada durante a campanha. Não há dúvida sobre a necessidade da iniciativa do governo do Estado, da preocupação verdadeira e das boas intenções de Leite e da gestão diante dos alertas sobre a intensidade do El Niño, mas o programa também não deixa de ser um movimento político preventivo. O fenômeno, segundo as previsões feitas até agora, deve se intensificar a partir de setembro. Ou seja, seus efeitos mais fortes serão sentidos em meio à eleição e irão representar o primeiro grande teste, desde às tragédias de 2024, de ações no âmbito da reconstrução, que estão fortemente presentes nos discursos. Confirmado o cenário, o Rio Grande do Sul deve sofrer com novas enchentes e o governo do Estado terá argumento para contrapor às investidas de adversários.
Planos robustos, outros nem tanto
O governo do Estado destacou que os 497 municípios gaúchos contam com Planos de Contingência. Uma breve análise dos documentos evidencia planos robustos e outros cujo aprimoramento será necessário. Em tempo: há seis dias, a CNM divulgou estudo apontando que 70% dos municípios brasileiros não têm recursos para ações como gestão ambiental e climática e dependem de verbas da União ou dos estados.
Correio do Povo
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