O fim de semana foi pródigo em acontecimentos na área internacional
Por Jurandir Soares
O fim de semana foi pródigo em acontecimentos na área internacional, a começar pela tentativa de matar o presidente Donald Trump, passando pelos atentados que mataram mais de 20 pessoas na Colômbia, pelo aceno do Irã em liberar o Estreito de Ormuz e culminando com a ridícula proposta de Vladimir Putin de ser o mediador para a guerra do Irã. Poder-se-ia falar ainda em novos ataques de Israel, tanto ao Líbano quanto a Gaza, e no fato marcante de os palestinos terem ido às urnas para escolher seus prefeitos para a Cisjordânia e um município de Gaza. Este último fato, eleições, é algo incomum no mundo árabe.
ATIRADOR
Atentados contra presidentes dos Estados Unidos não se constituem em novidade. Por isso, não surpreende o ato de sábado contra o presidente Trump. Ainda mais pela figura controvertida que ele é. O que não surpreende também é o ato ter sido praticado por um daqueles que são chamados de “lobo solitário”. Embora tenha formação de professor e de engenheiro, ficou claro que se trata de um desequilibrado mental, que agiu por conta própria. Não transpareceu qualquer ligação com alguma organização terrorista ou mesmo política, da qual Cole Tomas Allen pudesse estar a serviço. O fato é que, aos 31 anos de idade, ele praticamente deu fim à sua vida, pois terá uma pena severa, e nos Estados Unidos as penas são rigorosamente cumpridas. Vale lembrar Charles Manson, o autor da morte da atriz Sharon Tate, em 1969, que foi condenado à prisão perpétua, a qual cumpriu até morrer na cadeia, aos 83 anos de idade.
COLÔMBIA
A Colômbia, que terá eleições presidenciais em 31 de maio, entrou para o noticiário em função de uma série de atentados que tem ocorrido nos últimos dias. Somente em um dos atos, ocorrido no sábado, na rodovia Pan-Americana, no município de Cajibio, na província de Cauca, mais de 10 veículos foram explodidos, com 20 mortos e 36 feridos. A série de episódios de violência começou na sexta-feira, com ataque a um quartel militar em Cali. Os audaciosos atos são atribuídos ao grupo Estado Mayor Central, uma dissidência das Farc — Forças Armadas Revolucionárias Colombianas —, movimento guerrilheiro que aceitou depor as armas e assinar um acordo de paz com o governo em 2016. A justificativa para o grupo continuar na clandestinidade e cometendo atentados está no narcotráfico. Havia um acordo entre a guerrilha e o narcotráfico: o primeiro dava proteção, e o outro retribuía com dinheiro para armas e manutenção. O grupo, liderado por Ivan Mordisco, deve ter entendido que é mais negócio continuar traficando.
ESTREITO
Em meio a isso, seguem as escaramuças no Oriente Médio, mas com o Irã acenando com uma proposta para liberar a passagem pelo Estreito de Ormuz. Não transpareceu muita coisa sobre a dita proposta; porém, como se sabe que, para qualquer acordo, o Irã insiste em seguir com seu programa nuclear e que, para qualquer acordo, Trump quer o fim desse programa, não se vê muita perspectiva de um acordo avançar. O dado que pode impulsionar uma conversação entre os dois países é o fato de ambos estarem querendo, com urgência, o fim da guerra. E a proposta, pelo que consta, propõe o fim da guerra para iniciar conversação sobre o Estreito. E, quando esse fim do conflito chegar, já se sabe, antecipadamente, que ambos os lados estarão contando vitória.
MEDIADOR
Já o presidente russo, que está há quatro anos envolvido numa guerra com a Ucrânia, busca ser o pacificador da guerra que Estados Unidos e Israel desenvolvem contra o Irã. Fez essa manifestação ao receber, no Kremlin, o chanceler iraniano Abbas Araghchi. O Irã firmou, no ano passado, um acordo de parceria estratégica de 20 anos com Moscou. A Rússia está construindo duas novas unidades nucleares em Bushehr. Já Teerã forneceu a Moscou drones Shahed para uso contra a Ucrânia. Ou seja, são dois grandes parceiros, e Putin quer mediar um conflito do mesmo. Assim é que este conturbado fim de semana não nos permitiu, nesta coluna, ater-nos a um só tema, como é praxe, mas ao somatório de atos que, infelizmente, primam pelo aspecto negativo.
Correio do Povo
Nenhum comentário:
Postar um comentário