Novos Cabrais

 Os quatro poderes não estão sós na crise. O brasileiro que se adapta à exceção, que não percebe que em democracia precisa fiscalizar, criticar, cobrar e votar bem, também está em crise de cidadania

Por Alexandre Garcia

O decano do Supremo, ministro Gilmar Mendes, esta semana declarou que a crise é geral, não apenas do Supremo. É verdade. Mas ao estar no Supremo, derrama-se pelo Judiciário, até chegar às pequenas causas. E quando alguém escreve “ladrão” numa faixa e a Polícia Federal deduz que se refere ao presidente da República – ou um deputado pronuncia “ladrão” e um general entende que se refere ao seu Comandante Supremo, então a crise também está no Poder Executivo e na área militar. Quando o tesoureiro de campanha do presidente do Senado é investigado por dinheiro da previdência do Amapá posto no Master, ou o presidente da Câmara vai com o jatinho do Tigrinho para paraíso fiscal e de jogatina no Caribe, então a crise também está no Legislativo.


Crise nos três poderes e no dito quarto poder, o jornalismo. Certamente a dosimetria vai discutir os absurdos de penas de gente condenada por atacado, sem individualização dos crimes, sem juiz natural, com prisão por perfídia. Vão aparecer sinais gritantes de injustiça, como o caso do senhor Hahn, condenado a 14 anos por doar 500 reais para fretar ônibus a Brasília, tal como a Débora, por associação criminosa armada para derrubar o estado de direito – como se batom fosse arma – e dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado, sem que tivesse prejudicado uma única molécula do granito da deusa da Justiça. Então nós, do “quarto poder”, vamos perceber que em boa parte ficamos em silêncio diante do arbítrio, da injustiça, do exagero, do inconstitucional, do juízo de exceção proibido pelo inciso XXXVII do pétreo artigo 5° da Constituição – e vamos perceber que também estamos em profunda crise nos valores jornalísticos.


Esses quatro poderes não estão sós na crise. O brasileiro que se adapta à exceção, que não percebe que em democracia precisa fiscalizar, criticar, cobrar e votar bem, também está em crise de cidadania – e essa gera todas as demais, porque permite, na sua alienação, que usem seus poderes e o fruto de seu trabalho para se comportar indecorosamente, desrespeitar as leis, agir como se não existissem “213 milhões de pequenos tiranos” a aspirar respeito aos impostos que são obrigados a pagar, aos votos que são obrigados a registrar nas urnas – agora infantilizadas por esse boneco porta-voz “Pilili”, como se votar fosse brincadeira. Se está errado assim, e por isso estamos atrasados, carentes de segurança física e jurídica, já não seria hora de dar um reset neste país?


O leitor pode julgar utópica essa sugestão. Temos superabundância de riqueza natural, o que torna até pecaminoso o nosso imobilismo. Mas, com a cultura do deixa estar, só numa epifania nacional. Uma redescoberta de nós mesmos, de nossos lares, de nossas escolas, de nossas instituições. Da meritocracia, do livre mercado, das liberdades, da iniciativa privada, do direito de propriedade, do respeito à lei e à ética. Gilmar Mendes identifica a crise geral. Teria ele ideia de por onde começar a trocar crise por paz, bem-estar, estabilidade, fartura? Penso que se precisa começar pela menor das minorias: o indivíduo. Cada um se perguntando o que poderia fazer para melhorar a própria vida. O coletivo disso poderia ser o reinício. Uma nova descoberta. Novos Cabrais avistando a nova e rica terra.


Correio do Povo


Comunidade escolar protesta contra falta de energia elétrica há 50 dias em escola de Porto Alegre



Pais, alunos e professores da Escola Estadual de Ensino Fundamental Aparício Borges, localizada no bairro Partenon, realizaram um protesto nesta terça-feira para cobrar uma solução para a falta de luz que já perdura por 51 dias. O problema teve início em março, após sucessivos furtos de cabos elétricos, e tem forçado a instituição a reduzir o horário das aulas no turno da tarde devido à escuridão nas salas. Sem previsão de normalização, a escola também enfrenta a interrupção do fornecimento de internet, falhas no sistema de monitoramento e a impossibilidade de utilizar bebedouros e refrigeradores para a merenda.

A direção da escola relata que, em dias nublados, os estudantes são liberados mais cedo por falta de visibilidade, o que compromete o aprendizado e altera a rotina das famílias. Professores e alunos queixam-se de dores de cabeça e cansaço visual pelo esforço de realizar atividades em ambientes subalternos, enquanto o sindicato da categoria (Cpers) classifica a situação como um descaso do governo estadual. De acordo com a comunidade, mesmo com o registro de diversos boletins de ocorrência e o envio de orçamentos aos órgãos competentes, nenhuma medida imediata, como a instalação de geradores, foi tomada até o momento.

Em resposta ao impasse, a Secretaria de Obras Públicas informou que a recuperação da rede elétrica está em fase de atendimento emergencial e que os serviços devem começar nos próximos dias. Paralelamente, a Secretaria da Educação anunciou a liberação de R$ 50 mil por meio do programa Agiliza Educação, embora o recurso seja destinado especificamente a reparos no telhado da instituição. Enquanto as obras não iniciam, a comunidade escolar permanece mobilizada, exigindo o restabelecimento imediato das condições básicas para o funcionamento do colégio.

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