Liberdade para amamentar as crianças, por Luiz Fernando Mainardi
Nenhum
estabelecimento público ou privado, no território do Rio Grande do
Sul, poderá impedir, em suas instalações, que uma mãe amamente
sua criança. Em síntese é o que diz o projeto de lei que
elaboramos em conjunto com a deputada Manuela D'Ávila e que foi
aprovado na semana passada, por unanimidade, pela Assembleia
Legislativa. Tomamos a iniciativa para evitar cerceamento ou
segregação a mães que optarem pela prática.
Todos sabemos da importância da
amamentação para o pleno desenvolvimento nutricional e efetivo de
um bebê, sem falar dos benefícios para a saúde. Funcionando como
prevenção imediata de infecções na criança, também serve para
aumentar a inteligência na mesma proporção do tempo de
amamentação. Reduz, ainda, em até 13% as mortes por causas
evitáveis até os cinco anos. Para as mães, diminui a
possibilidades de câncer de mama e de ovário, além de evitar
anemia, sangramento pós-parto e auxiliar na redução do peso da
lactente.
Perpetuar em lei este direito tem o
objetivo de assegurar que a mãe, moldando-se às necessidades do
bebê, que não tem hora e nem lugar para sentir fome, não tenha
hora e nem lugar certo para amamentar. Busca, assim, não tolher o
direito ao espaço público das mulheres, especialmente nos primeiros
seis meses após o parto, período em que as organizações ligadas à
saúde recomendam que o leite materno seja a única alimentação
fornecida. Para seguir essa orientação, a mulher ficaria sujeita a
permanecer em casa naquele período caso houvesse impedimentos quanto
ao local de amamentação.
Combate, por outro lado, a visão
cultural, ainda existente, felizmente em pequena escala, de que o ato
de amamentar deve ficar restrito a quatro paredes, a partir do
entendimento de que a prática vulgariza a mulher ao atribuir cunho
erótico ao gesto. Entendemos que, além de suprir uma necessidade
meramente nutricional, a amamentação serve, igualmente, como fonte
de carinho que alimenta os laços afetivos entre a mãe e o bebê.
Propõe o nosso projeto, portanto,
que a amamentação seja uma prática “livre e discricionária
entre mãe e filho quanto à necessidade, oportunidade e local em que
será realizado”. Acreditamos que, desta forma, contribuímos para
estimular na sociedade a cultura da amamentação, rompendo com
preconceitos e afirmando os direitos de crianças e mulheres a uma
vida mais saudável fundada em laços de afetividade.
Deputado estadual do PT
Fonte: Correio do Povo, página 2 da
edição de 12 de outubro de 2015.
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