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A vida e o tempo, por Jarbas Lima

O desperdício do tempo é um pecado mortal. A vida é curta e preciosa. A perda de tempo é merecedora da mais absoluta condenação moral. O tempo perdido é irrecuperável. É prodigalidade. Utopia impossível. Desprezar o tempo é negar valor à vida. A indiferença às circunstâncias traça as linhas do nosso caráter. As circunstâncias ditam as causas. A vida encontra-se sempre em certas circunstâncias, numa disposição em torno – circum – das coisas e das pessoas. O mundo é circunstâncias, é este mundo, aqui, agora. Viver é viver aqui, agora. A vida é, ao mesmo tempo, fatalidade e liberdade. Esta fatalidade oferece-nos um repertório de possibilidades. O determinismo nega a liberdade. O tempo é o presente, o futuro ainda não é e o passado já foi. A nossa vida está alojada, no instante presente. O futuro descobre o passado para realizar-se. O passado é agora real porque o revivo. O meu futuro é quando descubro o meu presente. E tudo isso acontece num instante. Em cada instante, a vida dilat...

A tradição rio-grandense, por Jarbas Lima

Nação criada por transplante cultural, sem tradição, estará ameaçada na sua continuidade e evolução. Herdamos com a civilização suas grandezas e misérias. Entre as misérias as chagas sociais. A tradição é valor inestimável. Não é a imobilidade do ser social, a fidelidade de um passado morto. Ela é dinamismo, tendência para a frente. Lei da constância original é a fixidez. A evolução para o futuro é atitude transitiva, tensão vital. Prosperidade. A natureza, como a sociedade, resiste às variações, não realiza saltos. Evolução é valorização do próprio ser. Sem tradição não é convicção, não há certeza. Tradição é dinamismo, Concilia-se com o que é fundamental, inerente, inevitável no homem. Exigências da natureza. Novas maneiras de produzir Por osso descobre, inventa. As instituições tradicionais, na visão de Bonald, não são válidas por serem antigas, mas antigas por serem válidas. Tradição não é vulgaridade, arcaísmo, saudade, nostalgia, lembranças. Não é paixão cega, fidelidade a ...

A desgraça da corrupção, por Jarbas Lima

A longa exposição de fatos e circunstâncias sobre o que é direito e o que é imoral identifica a tragédia da corrupção. Não há normas de conduta. Se há um direito irrecusável e respeitado em todos os tempos e sob todos os regimes, é o direito da decência, da honra, da dignidade, da moralidade, do caráter, da ética. Direito de todos é dever de todos. Mais dever que direito. Para os de bem, direito. Positivamente, nesta “baixa-maior” de valores que é o oficialismo brasileiro da atualidade, tudo está certo como em certos espelhos bizarros que refletem as imagens às avessas. Júlio Verne descreve, em um de seus romances, uma terra onde um sábio fez a experiência de determinado gás que transformava todos os cérebros. O sintoma lembra-nos o mal de que padecem nossos poderes governamentais superiores. O destempero é controlado, e por isso não é maior o estrago, porque há consciência de que prevalece em nosso espírito comunitário a certeza de que a maioria de nós faz sua vida à luz e ao calor ...

Partidos políticos, por Jarbas Lima

Enquanto os partidos têm por fim imediato conquistar o poder, exercê-lo obter postos de mando através das eleições, os grupos de pressão não visam a exercer diretamente o poder, mas influenciar aqueles que o detêm. Os partidos se orientam pela solidariedade. Os grupos de pressão, por solidariedades específicas. Participam-se dos partidos como cidadãos. Dos grupos de pressão se participa como indivíduo. Os partidos populistas costumam aglutinar grupos de pressão que se transformam na base de sustentação dos governos populistas. É bem conhecida a fragilidade dos partidos políticos no Brasil. Do ponto de vista político-institucional, é este um dos maiores desafios, de vez que os partidos com diferentes orientações ideológicas são essenciais à democracia. Os partidos políticos têm se caracterizado como agregados ou facções organizadas em razão da corrida eleitoral, sem conteúdo ideológico definido, sem filosofia política consistente. Enquanto a inflação avança, os salários perdem subs...

Populismo, por Jarbas Lima

Populismo pode ser definido como a política fundada na cooptação (ou aliciamento) das classes sociais de menor poder aquisitivo. Segundo Norberto Bobbio, são populistas as fórmulas políticas cuja fonte principal de inspiração e termo constante de referência é o povo, considerado como agregado social homogêneo e exclusivo de valores positivos, específicos e permanentes. O populismo costuma basear-se na dicotomia “povo” e “não povo”. Todos os atores tidos como adversários do “povo” constituem o “não povo”. Incluem-se as elites cosmopolitas ( o populismo é sempre nacionalista) ou imperialistas as oligarquias, consideradas entreguistas, e até os movimentos populares com ideologias estranhas à tradição autóctone. Esta perspectiva maniqueísta gera nos movimentos populistas a tendência para hostilizar e expulsar tudo aquilo que não considera “povo”, visto como elemento parasitário e corruptor. Neste pressuposto de inclusão e exclusão o movimento populista assume caráter messiânico e abr...