O impasse nos presídios
Ao alertar para o risco de que, sem adoção de providências adequadas, o sistema carcerário no país pode acabar entrando em colapso, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, acabou tocando numa questão tabu para a sociedade, que é a revisão da chamada Lei de Crimes Hediondos. O rechaço à simples possibilidade de penas mais brandas para atos como os que atentam contra a vida é previsível entre parcelas de uma sociedade cada vez mais vulnerável à violência. Ainda assim, o impasse enfrentado pela superlotação das prisões, no Estado e no país de maneira geral, não pode ser ignorado, pois afeta tanto quem está atrás como fora das grades. Obviamente, a aplicação de penas mais severas e a exigência de seu cumprimento integral em regime fechado, determinada pela Lei de Crimes Hediondos na década passada, não se constitui na causa do excesso de prisioneiros constatados hoje nos cárceres. Ainda assim, o fato de o número de detentos no país praticamente ter triplicado de 1995 para cá ind...