Fundo do poço
Miriam Leitão Como foi que se chegou a isso na Petrobras? A maior empresa do país, nascida de um movimento popular, orgulho nacional por ter sido capaz de superar barreiras tecnológicas desafiadoras. Tivemos que ser socorridos por leis internacionais para que a empresa contratasse auditorias, afastasse um executivo sob suspeição, e uma empresa internacional se recusasse a assinar seu balanço. Com quantos silêncios, vistas grossas e cumplicidades se montou o esquema de roubo dentro da empresa? A corrupção se espalha e contamina como um vazamento de óleo sobre o mar. Mesmo limpas antes do derramamento, as águas acabam sendo impregnadas pela mancha que tira o oxigênio. Devemos agradecer à lei anticorrupção corporativa americana e ao rigor da SEC, a CVM dos Estados Unidos? Pior é que sim, devemos. Sem as regras deles, o balanço teria sido aprovado e anunciado com a dúvida recaindo sobre o presidente licenciado da Transpetro, Sérgio Machado, citado nominalmente por Paulo Roberto Costa....