A desgraça da corrupção, por Jarbas Lima
A longa exposição de fatos e circunstâncias sobre o que é direito e o que é imoral identifica a tragédia da corrupção. Não há normas de conduta. Se há um direito irrecusável e respeitado em todos os tempos e sob todos os regimes, é o direito da decência, da honra, da dignidade, da moralidade, do caráter, da ética. Direito de todos é dever de todos. Mais dever que direito. Para os de bem, direito. Positivamente, nesta “baixa-maior” de valores que é o oficialismo brasileiro da atualidade, tudo está certo como em certos espelhos bizarros que refletem as imagens às avessas. Júlio Verne descreve, em um de seus romances, uma terra onde um sábio fez a experiência de determinado gás que transformava todos os cérebros. O sintoma lembra-nos o mal de que padecem nossos poderes governamentais superiores. O destempero é controlado, e por isso não é maior o estrago, porque há consciência de que prevalece em nosso espírito comunitário a certeza de que a maioria de nós faz sua vida à luz e ao calor ...