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Relator negocia transição de 5 anos para PEC da escala 6x1

 Leo Prates busca acordo com governo para transição de até cinco anos na mudança da escala de trabalho


Relator em comissão especial da Câmara da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o fim da escala de trabalho 6x1, o deputado Leo Prates (Republicanos-BA) tenta costurar com o governo um período de transição de dois a cinco anos para a medida entrar em vigor. Segundo relatos de pessoas que acompanham as negociações, o governo quer a adoção imediata da escala 5x2, mas admite uma transição de até três anos para a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas. Além da PEC que já tramita no Congresso, o próprio governo encaminhou um projeto de lei sobre o tema — visto com potencial para melhorar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que concorre à reeleição. A medida também conta com o apoio de lideranças da Câmara e do Senado, o que levou empresários a pressionar por compensações à medida, como um período de transição. Além do aumento de custos, analistas veem risco de a medida provocar aumento da rotatividade.


O Estadão/Broadcast apurou que o texto vai prever dois dias de descanso semanais, mas não consecutivos, com preservação dos domingos. Embora a PEC deva resguardar dois dias de descanso, há uma cautela na Câmara para não tratar diretamente de escala no texto, com o objetivo de assegurar o papel de convenções coletivas.


Acordo na Câmara

Em coletiva após reunião com o colégio de líderes dos partidos para definir a pauta de votações dos próximos dias, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou ontem a discussão sobre um período para a validade de novas regras, embora não exista até agora um acordo. "A ideia é construirmos com o governo um acordo. Não há ainda essa questão 100% resolvida, porque nós temos de dialogar até o final, até para entender como se dará a conclusão dessa questão do texto. Então, esse é um dos pontos que nós vamos tratar nos próximos dias para que tenhamos a proposta apresentada pelo relator", afirmou ele. À noite, ele se reuniu com Prates na residência oficial da Câmara. Também participaram os ministros José Guimarães (Relações Institucionais) e Luiz Marinho (Trabalho e Emprego).

Motta também disse que mantém a previsão de votação da PEC no plenário na semana que vem, mas informou que não há um acordo já selado para a tramitação no Senado. "Eu penso que, com a Câmara concluindo o seu trabalho, o Senado dará a prioridade que a pauta requer, já que é o anseio de mais de 70% da população brasileira. Mas eu não tenho nenhum pré-acordo, não há nenhuma tramitação pré-acertada."


Estadão Conteúdo e Correio do Povo

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