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Irã registra maiores protestos em três anos apesar de apagão de internet

 


Milhares de iranianos voltaram às ruas nesta sexta-feira (9) em diversas cidades do país, no maior movimento contra a República Islâmica em mais de três anos. As manifestações ocorrem mesmo diante do apagão de internet imposto pelas autoridades e da repressão que já deixou dezenas de mortos.

Protestos em Teerã e outras cidades

Em Teerã, manifestantes marcharam no distrito de Sadatabad, batendo panelas e entoando slogans como “morte ao ditador” e “morte a Khamenei”, em referência ao líder supremo, aiatolá Ali Khamenei. Motoristas buzinavam em apoio, segundo vídeos verificados pela AFP. Imagens também mostraram protestos em Mashhad (leste), Tabriz (norte) e até na cidade santa de Qom, ao sul da capital.

As mobilizações seguem os atos da quinta-feira, considerados os maiores desde 2022, quando a morte de Mahsa Amini, presa por uso inadequado do véu, desencadeou uma onda de protestos.

Repressão e riscos

Segundo a ONG Iran Human Rights, sediada na Noruega, ao menos 51 manifestantes morreram nos primeiros 13 dias desta nova onda de protestos. A organização Netblocks informou que o corte de internet já dura mais de 24 horas, levantando preocupações sobre possíveis abusos. A advogada e Nobel da Paz de 2003, Shirin Ebadi, alertou que o apagão pode ser usado para encobrir um massacre.

Reação do governo

Em discurso transmitido pela TV estatal, o líder supremo Ali Khamenei afirmou que o Irã “não cederá aos sabotadores” e acusou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ter “as mãos manchadas com o sangue de mais de mil iranianos”, em referência à guerra de 12 dias com Israel, em junho passado. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, também acusou EUA e Israel de ingerência, afirmando que ambos tentam transformar manifestações pacíficas em atos violentos.

Fonte: Correio do Povo

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