A divulgação dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), realizada nesta segunda-feira (19) pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Inep, gerou reação de entidades que representam instituições privadas de ensino superior. O exame avaliou 351 cursos de Medicina em todo o país.
Questionamentos da Anup
Em nota, a Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) apontou divergências entre os dados informados pelas instituições em dezembro de 2025 e os números divulgados agora, especialmente no que diz respeito ao total de estudantes considerados proficientes. A entidade informou que aguarda esclarecimentos técnicos do MEC e do Inep antes de se posicionar de forma definitiva.
Críticas da Abmes
A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) também se manifestou, criticando a condução do exame e a aplicação imediata de medidas punitivas às instituições. Segundo a entidade, a primeira edição do Enamed, realizada em outubro de 2025, ocorreu sem que critérios como parâmetros de desempenho e cortes de proficiência fossem divulgados previamente, o que comprometeria princípios de previsibilidade, transparência e segurança jurídica.
A Abmes defende que os resultados sejam tratados como um diagnóstico inicial, voltado ao aperfeiçoamento das próximas edições, e que os efeitos punitivos — como restrição de vagas e impedimento de novos ingressos — sejam suspensos.
Posição do MEC
Durante evento no Palácio do Planalto, o ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que as medidas cautelares serão aplicadas em um processo de transição e que o objetivo não é prejudicar alunos, mas garantir que as faculdades aprimorem infraestrutura, monitoria e laboratórios para formar profissionais qualificados.
Resultados da avaliação
243 cursos tiveram bom desempenho, com pelo menos 60% dos estudantes considerados proficientes.
107 cursos foram mal avaliados.
1 curso não foi avaliado por baixo número de concluintes.
Entre os melhores resultados:
Instituições federais: média de 83,1% de proficiência (6.502 estudantes).
Instituições estaduais: média de 86,6% (2.402 estudantes).
Entre os piores:
Rede municipal: média de 49,7% (944 estudantes).
Privadas com fins lucrativos: média de 57,2% (15.409 estudantes).
📌 Em resumo: entidades privadas criticam a falta de clareza e a aplicação imediata de sanções após a primeira edição do Enamed, enquanto o MEC defende medidas de transição para garantir melhorias na qualidade da formação médica.

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