Atividade foi inspirada na reação de uma moradora de 91 anos e emocionou residentes de lar
Uma experiência individual deu origem a uma ação coletiva de cuidado em Porto Alegre. A emoção da idosa Lenira Uriartt, de 91 anos, ao ver imagens de cavalos durante uma atividade com óculos de realidade virtual motivou a realização de uma visita especial no São Pietro Sênior, no bairro Três Figueiras. Na tarde de quinta-feira, residentes participaram de uma sessão de pet terapia com a presença de um cavalo, em uma proposta voltada ao estímulo emocional e à memória afetiva.
A iniciativa surgiu após a reação da idosa, que tem dificuldades de comunicação. Ao retirar os óculos, ela se emocionou ao relembrar vivências do passado ligadas ao ambiente rural. “Ela estava chorando e, da forma que conseguiu se expressar, contou que lembrou muito do que viveu, de quando morava em uma fazenda”, relata a gestora operacional do Sênior Living São Pietro, Carolina Boligon.
A partir desse episódio, a equipe decidiu incorporar o cavalo às atividades já realizadas com animais. “A gente conseguiu trazer isso para a pet terapia. E quando divulgamos, todos quiseram participar, inclusive familiares. Isso mostra o quanto essas memórias são importantes”, afirma.
A prática de terapias assistidas por animais já faz parte da rotina dos moradores, com atividades quinzenais que incluem a presença de cães, coelhos, calopsitas e outros animais. Segundo Carolina, o foco está na valorização das histórias de vida e dos vínculos afetivos. “A gente cultiva muito isso aqui. Respeitar as memórias e trazer o que eles querem reviver. As ações não são impostas, elas partem deles”, destaca.
Embora a presença de um cavalo seja inédita no local, os efeitos da pet terapia já são percebidos no dia a dia. “O que a gente mais vê é encantamento, resgate emocional e lembranças. É um trabalho muito voltado ao sentimento”, resume a gestora.
Do ponto de vista clínico, os benefícios vão além da emoção. A psicóloga e especialista em serviços assistidos por animais, Karina Schutz, explica que a interação provoca alterações fisiológicas positivas. “O simples fato de tocar no animal já reduz o cortisol, que é o hormônio do estresse, e aumenta hormônios ligados ao prazer. Também há diminuição da frequência cardíaca, o que contribui para o bem-estar”, explica.
Ela ressalta ainda o impacto no ambiente coletivo. “Só a presença do animal já quebra a rotina. Hoje, por exemplo, eles estavam prontos muito antes do horário, ansiosos pela atividade. Isso gera expectativa, vínculo e engajamento”, completa.
Correio do Povo
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