O Dragão quer que a Águia alce voo do Oriente Médio, onde provocou este caos que está se refletindo na economia mundial
Por Jurandir Soares
A s figuras da águia e do dragão representam bem os países e os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, que têm importante reunião nesta quinta e sexta-feira em Pequim. Eles representam dois impérios diametralmente opostos, mas que precisam convergir para o bem de suas respectivas populações e, muito em especial, de seus governos. Trump chega debilitado pela guerra no Irã, vespeiro ao qual foi arrastado pelo israelense Benjamin Netanyahu. Uma situação tão crítica que Trump vai pedir ajuda a Xi para reabrir o Estreito de Ormuz, uma passagem que era livre até a dupla EUA-Israel resolver atacar o Irã.
NEGÓCIOS
É possível que a China ofereça alguma ajuda em função da ascendência que tem sobre o regime dos aiatolás. Afinal, o que Pequim quer é manter livres os trajetos para sua comercialização com o mundo. Comprar alimentos, commodities e componentes e, ao mesmo tempo, vender tudo o que produz em termos tecnológicos é o negócio da China. Mas, para isto, precisa da livre circulação. Daí a possibilidade de uma ajuda para Trump nesse sentido. Porém, haverá uma cobrança para isto: que Trump pare com a guerra! E aí se esbarra no que são hoje as posições diametralmente opostas de Estados Unidos e Irã no que toca ao acordo para o fim da guerra. E a questão crucial para os EUA é o programa nuclear de Teerã. É nesse setor que a China poderá fazer alguma proposta que receba o aval de ambos os lados.>
TROCO
Em troca de uma possível mediação, Xi Jinping buscará uma reciprocidade de Trump. E isto diz respeito a Taiwan. A China não tem interesse em guerra; quer é comercializar com o mundo todo. Porém, tem a obsessão pela reincorporação a seu território de Taiwan, que considera uma província rebelde. E isto está a exigir substancial mudança de posição de Washington. Xi quer que os EUA parem de vender armas a Taiwan, a começar por uma encomenda de 11 bilhões de dólares feita pela ilha.
Na realidade, os norte-americanos vêm, gradativamente, mudando sua posição com relação a Taiwan. Tempos passados, era pacífico que os EUA sairiam em ajuda no caso de uma invasão chinesa. Nos últimos tempos, esta ação bélica passou a ser descartada, ficando a ajuda limitada ao fornecimento de armamentos. E agora há esta perspectiva de parar com a venda, que ganha respaldo na fala de Trump antes de partir de Washington, quando disse, num tom de resignação, “eles querem que nós paremos de fornecer armas a Taiwan”.
COMÉRCIO
Quanto a Taiwan, resta dizer que, ao ser engolida por Pequim, seguirá o mesmo rumo de Hong Kong, que era uma democracia, a qual deveria vigorar ainda por 50 anos após a incorporação, mas acabou logo em seguida, com o regime comunista impondo seu tacão. Um regime que é comunista na política, mas liberal na economia.
E é justamente este liberalismo econômico que interessa ao empresariado americano, tanto que a delegação é integrada por expoentes de multinacionais, como Tim Cook, da Apple, e Elon Musk, da Tesla. Ambos com muito boa relação com o governo chinês. E ambos têm atuado no sentido de convencer Trump a aliviar as taxas que são impostas aos produtos chineses. E até porque, na extensão dos negócios, há a perspectiva de uma venda de 500 aviões da Boeing para a China, além de produtos agrícolas, o que daria um impulso para a economia dos EUA, num período de eleições, de inflação alta e de baixa de prestígio de Trump.
TERRAS RARAS
Há que considerar ainda o interesse e a dependência dos EUA no que toca às chamadas Terras Raras. Aliás, justamente pela dependência da China, Trump está de olho nas reservas brasileiras desses minérios. Segundo o Wall Street Journal, outro tema delicado que estará em debate diz respeito à Inteligência Artificial. O objetivo será estabelecer medidas de segurança antes que se produza uma crise entre os dois países. Mas este, segundo o WSJ, é um tema mais delicado que os demais. E cita a falta de confiança entre as partes, o que é ressaltado por analistas da Trevium China. E, para finalizar, cabe ressaltar que o Dragão quer que a Águia alce voo do Oriente Médio, onde provocou este caos que está se refletindo na economia mundial.
Correio do Povo
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