Páginas

Senado rejeita relatório final da CPI do Crime Organizado

 


Brasília – 14 de abril de 2026 – Após cinco horas de debate, o Senado rejeitou nesta terça-feira (14) o relatório final da CPI do Crime Organizado, elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE). O texto recebeu seis votos contrários e quatro favoráveis, sendo barrado pela maioria dos parlamentares da comissão.

Conteúdo do relatório

O documento recomendava o impeachment dos ministros do STF Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por supostos crimes de responsabilidade relacionados ao caso Master. Também sugeria ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, alegando necessidade de retomada do controle territorial em áreas dominadas por facções e milícias.

Mudanças na composição

Para garantir a rejeição, aliados do governo promoveram alterações de última hora na comissão:

  • Sérgio Moro (PL-PR) e Wellington Fagundes (PL-MT) deixaram o colegiado.

  • Foram substituídos por Beto Faro (PT-PA) e Marcos Rogério (PL-RO).

  • Jorge Kajuru (PSD-GO) foi trocado por Soraya Thronicke (PSD-MS).

Acusações contra ministros

O relatório apontava que:

  • Toffoli teria atuado em processo envolvendo fundo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, mesmo após vender participação em resort relacionado ao caso.

  • Moraes teria favorecido Vorcaro ao buscar informações junto ao Banco Central, em situação de “captura regulatória”.

  • Gilmar Mendes teria adotado manobras processuais interpretadas como “proteção corporativa”, barrando quebras de sigilo.

  • Paulo Gonet teria sido “desidioso” ao não agir diante de indícios de irregularidades.

Contexto da CPI

Criada após operação policial que resultou em 121 mortes no Rio de Janeiro, a CPI acabou direcionando seus trabalhos para o caso Master, sob o argumento de investigar a infiltração do crime organizado no sistema financeiro.

👉 Com a rejeição, o relatório não seguirá como recomendação oficial, encerrando uma das fases mais polêmicas da CPI e reforçando a articulação política do governo para evitar embates diretos com o Supremo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário