Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho e Sergio Moro classificam o resultado como uma derrota "acachapante" que sinaliza o fim da governabilidade e do modelo de indicações políticas.
BRASÍLIA – A rejeição histórica de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), com 42 votos contrários, foi recebida pela oposição no Senado como o atestado definitivo do esgotamento político do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para os líderes da ala oposicionista, o placar não representa apenas o veto a um nome, mas uma ruptura na capacidade de articulação do Palácio do Planalto dentro do Congresso Nacional.
"Lula 3 acabou", diz Rogério Marinho
O líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN), foi enfático ao avaliar o impacto do resultado. Segundo o parlamentar, a derrota é um golpe na credibilidade do Executivo. "Não há dúvida de que o governo perde capital crítico. Inclusive, acredito que hoje acaba o 'Lula 3'. Perde-se a capacidade de articulação em uma derrota acachapante", afirmou Marinho a jornalistas.
Flávio Bolsonaro e as pretensões para 2026
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, atribuiu a reprovação do advogado-geral da União à "incompetência" do governo. Para Flávio, o isolamento político de Lula compromete a governabilidade até o fim do mandato.
"O governo não tem mais a menor condição de tratar de absolutamente nada aqui", declarou. O parlamentar negou uma articulação centralizada para a derrota, classificando o movimento como "espontâneo" por parte dos senadores, mas ressaltou que o presidente tem o direito constitucional de indicar um novo nome, cabendo ao Senado a soberania de aprová-lo ou não.
Crítica ao modelo de indicação
Outras vozes da oposição destacaram o simbolismo da decisão em relação ao perfil de ministros da Corte:
Sergio Moro (PL-PR): O senador paranaense afirmou que a população está "farta" da proximidade excessiva entre a Presidência e o STF. Ele defendeu que a vaga — aberta pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso — deveria ser preenchida por alguém com carreira independente do Executivo.
Tereza Cristina (PP-MS): A líder dos Progressistas classificou a votação como "decisão histórica" e um exercício de independência do Legislativo. "O Senado cumpriu seu papel constitucional de decidir sobre a composição da Corte com total autonomia", publicou em suas redes sociais.
Contexto Político
A rejeição de Messias — por um placar de 42 a 34 — é a primeira desde 1894. O resultado expõe a fragilidade da base governista em um momento de alta polarização e coloca o Planalto em uma encruzilhada estratégica: ceder a um perfil mais técnico e palatável ao Senado ou insistir em uma queda de braço política para a próxima indicação.

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