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Itamaraty impõe reciprocidade e suspende atividades de agente dos EUA após expulsão de delegado brasileiro

 


O Ministério das Relações Exteriores do Brasil determinou a interrupção imediata das funções oficiais de um agente de imigração norte-americano em Brasília, reagindo à decisão do governo dos Estados Unidos de retirar as credenciais do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava em Miami. A medida foi comunicada verbalmente à embaixada dos EUA nesta terça-feira, 21, durante convocação no Itamaraty, após a gestão de Donald Trump agir de forma sumária contra o oficial brasileiro. Segundo o governo brasileiro, a suspensão do delegado ocorreu sem diálogo prévio, violando protocolos de cooperação bilateral que prevêem pedidos de esclarecimento antes de medidas drásticas.

O estopim da crise diplomática envolve a situação do ex-deputado Alexandre Ramagem, condenado por golpe de Estado e atualmente residente nos Estados Unidos. O Departamento de Estado norte-americano alega que Marcelo Ivo teria tentado "contornar pedidos de extradição", acusação que motivou o bloqueio de seu acesso aos sistemas do Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE). Em resposta técnica e política, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ordenou a retirada dos mesmos privilégios do agente americano que operava junto ao órgão na capital federal. O Itamaraty reforçou que a aplicação do princípio da reciprocidade é uma defesa da soberania e dos memorandos de entendimento que regem o intercâmbio de segurança entre as duas nações.

Lula parabeniza diretor da PF por aplicar reciprocidade diplomática contra os Estados Unidos



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou publicamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, pela decisão de suspender as credenciais de um agente de imigração norte-americano que atuava em Brasília. A medida foi uma resposta direta à ação do governo Donald Trump, que retirou as credenciais do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho em Miami. Em vídeo divulgado nesta quarta-feira, 22, Lula defendeu que a reciprocidade é essencial para que as relações voltem à normalidade, sinalizando que o Brasil não aceitará decisões unilaterais sem diálogo prévio.

O impasse começou após a atuação de Marcelo Ivo no caso da prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem nos EUA, o que levou a Casa Branca a acusar o delegado de tentar manipular o sistema de imigração e estender perseguições políticas ao território americano. Com a retaliação brasileira, o oficial dos EUA perdeu o acesso às bases de dados e às unidades da PF na capital federal, paralisando parte da cooperação bilateral. Além de comentar a crise diplomática, Lula aproveitou o anúncio para confirmar a contratação de mil novos policiais federais, reforçando o discurso de combate ao crime organizado no país.

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