Sequestro de voo da Korean Air termina com pouso na praia e herói que deu a vida para salvar passageiros
Em 23 de janeiro de 1971, o voo doméstico da Korean Air Lines entre Gangneung e Seul-Gimpo virou um dos episódios mais dramáticos da aviação sul-coreana durante a Guerra Fria. A aeronave, um Fokker F27-200 Friendship com 55 passageiros e 5 tripulantes, foi alvo de uma tentativa de sequestro minutos após a decolagem.
O ataque na cabine
Às 13h34, a 3.048 metros de altitude sobre Hongcheon, o passageiro Kim Sang-tae, 22 anos, simpatizante norte-coreano, detonou duas granadas de mão. A explosão abriu um buraco na fuselagem e destruiu a porta da cabine. Armado com mais duas granadas, Kim invadiu a cabine e ordenou que os pilotos desviassem o avião para a Coreia do Norte.
A Força Aérea da República da Coreia reagiu imediatamente, enviando dois caças F-5A para interceptar o Fokker e impedir que cruzasse a Linha de Demarcação Militar.
Luta e sacrifício
O capitão Lee Gang-heun, de 37 anos, tentou enganar o sequestrador. Enquanto dizia que um dos caças era um MiG norte-coreano, Lee desviou o avião para um pouso de emergência em Gosung-gun, na costa de Gangwon. Kim percebeu a manobra ao avistar a praia de Hwajinpo e ameaçou detonar as granadas se a rota não fosse corrigida.
Na cabine, a comissária Choi Seok-ja e o oficial de segurança Choi Cheon-il distraíram Kim. Aproveitando o momento, Choi e o copiloto Jeon Myeong-se, 39 anos, reagiram e atingiram o sequestrador. Kim foi morto, mas uma granada caiu no chão da cabine.
Para proteger os passageiros, Jeon Myeong-se cobriu o explosivo com o próprio corpo. A explosão arrancou seu braço esquerdo e sua perna direita. Ele morreu horas depois, por hemorragia, após ser levado a um hospital militar. Em suas últimas palavras, disse que “se jogou porque temia que os passageiros se ferissem”. Veterano da Guerra da Coreia, Jeon havia sido dispensado como tenente-coronel em 1970 com 20 condecorações. Foi condecorado postumamente com a Ordem do Mérito Civil, Primeira Classe, e sepultado no Cemitério Nacional de Seul.
O pouso impossível
Com a cabine despressurizada e os controles danificados, o capitão Lee Gang-heun conseguiu fazer um pouso forçado às 14h18 na praia de Chodo-ri, Hyeon-nae-myeon, Goseon-gun. A manobra salvou a vida de 48 das 60 pessoas a bordo. Dezesseis ficaram feridas, oito em estado grave.
Legado
O caso foi uma das primeiras tentativas de sequestro fracassadas na Coreia do Sul e expôs as tensões de segurança da época. Analistas de aviação classificaram o pouso como um feito notável de perícia: Lee conseguiu controlar o Fokker mesmo com danos estruturais severos e perda de pressurização. O episódio também escancarou falhas na segurança aeroportuária - Kim embarcou com granadas apesar do reforço nos controles.
Mais de 50 anos depois, o voo de 23 de janeiro de 1971 é lembrado pelo sacrifício de Jeon Myeong-se e pela frieza do capitão Lee Gang-heun diante do caos.
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