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Equador convoca embaixador após Gustavo Petro chamar Jorge Glas de "preso político"

 


Crise diplomática entre Bogotá e Quito atinge novo patamar; governo equatoriano denuncia ingerência colombiana e cobra maior rigor no controle da fronteira.

QUITO – A relação diplomática entre Equador e Colômbia entrou em colapso nesta quarta-feira (8). O governo de Daniel Noboa convocou para consultas seu embaixador em Bogotá, Arturo Félix, em resposta às declarações do presidente colombiano Gustavo Petro. O líder vizinho classificou o ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas — preso por corrupção — como um "preso político" e anunciou ter concedido a ele a nacionalidade colombiana.


Acusações de ingerência e soberania

A chanceler equatoriana, Gabriela Sommerfeld, formalizou um "protesto enérgico" contra o que chamou de interferência direta nos assuntos internos do país. Segundo Quito, as falas de Petro atentam contra o princípio de não intervenção e deslegitimam o sistema judiciário equatoriano.

  • A posição da Colômbia: Petro utiliza as redes sociais para exigir a libertação de Glas, alegando perseguição política e pedindo a intervenção de órgãos internacionais de direitos humanos.

  • A resposta do Equador: O presidente Daniel Noboa rebateu as críticas, afirmando que Glas é um condenado comum em processos legítimos e que a tentativa de "reinventar" o conceito de preso político é um atentado à soberania nacional.

Fronteiras e Narcotráfico: O pano de fundo da crise

A tensão entre os dois países não se limita ao caso Jorge Glas. Bogotá e Quito atravessam uma disputa multifacetada que inclui economia e segurança:

  1. Guerra Tarifária: Desde fevereiro, ambos os países impuseram tarifas mútuas de 30% sobre produtos importados.

  2. Segurança Fronteiriça: O Equador acusa a gestão de Petro de ser "deficiente" no combate à guerrilha e ao crime organizado nos 600 km de fronteira comum.

  3. Incidente Militar: Recentemente, a Colômbia reclamou de um explosivo encontrado em seu território após um bombardeio militar equatoriano, realizado com apoio dos EUA, em zona de fronteira.

O fator Jorge Glas

Ex-vice-presidente durante o governo de Rafael Correa (2013-2017), Jorge Glas é uma figura central na política equatoriana. Sua prisão é vista pela esquerda regional como lawfare (uso do sistema jurídico para fins políticos), enquanto a justiça equatoriana sustenta que as condenações por corrupção seguiram todos os ritos legais.

Com o embaixador Arturo Félix retornando a Quito, o diálogo entre as nações vizinhas permanece suspenso por tempo indeterminado, aguardando uma sinalização de arrefecimento por parte de Bogotá.


Destaque Político:

Especialistas apontam que a postura agressiva de Gustavo Petro pode estar ligada ao cenário interno. A quatro meses de deixar a presidência e sem direito à reeleição, Petro tenta consolidar a influência da esquerda governista para as eleições colombianas de maio.

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