Páginas

Arroz: negociações pontuais e baixa liquidez mantêm cotações estabilizadas no RS

 


Porto Alegre, 5 de abril de 2026 — O mercado spot de arroz no Rio Grande do Sul segue com baixa liquidez e negociações pontuais. As cotações permanecem firmes, variando entre R$ 58 e R$ 62 por saca para o arroz indústria e chegando a R$ 65–70 por saca para o arroz nobre, sustentadas principalmente pela retenção de oferta por parte dos produtores.De acordo com a consultoria Safras & Mercado, os produtores estão segurando o cereal devido aos preços atuais estarem abaixo do custo de produção, o que gera uma “falsa escassez” no mercado. Por outro lado, a indústria atua de forma reativa, comprando apenas o necessário para reposição imediata, sem alongar posições.“O ambiente é de forte assimetria entre oferta e demanda. Há suporte técnico no curto prazo, mas no médio prazo o elevado estoque de passagem e a baixa execução comercial podem gerar pressão sobre os preços”, avalia o analista Evandro Oliveira.Paridade de exportação como referênciaA paridade de exportação continua sendo a principal referência para o escoamento do arroz gaúcho. Apesar da demanda externa ativa, a execução das vendas ao exterior ficou abaixo de 30–40%, o que indica perda de competitividade operacional mais do que de preço.O câmbio tem se mostrado relativamente favorável, mas não tem sido suficiente para aumentar a agressividade comercial. No Mercosul, a pressão competitiva segue presente, especialmente com ofertas de outros países, como o Paraguai, mesmo com redução de receita.“O fluxo internacional oferece oportunidades no curto prazo, antes da entrada mais forte da oferta asiática no segundo semestre. A dificuldade de capturar essas janelas aumenta o risco de deterioração da paridade futura”, alerta Oliveira.Indústria sob pressão de custosA indústria de arroz enfrenta margens comprimidas. Os custos elevados de aquisição, somados à dificuldade de repassar integralmente os aumentos ao varejo, reduzem a eficiência do beneficiamento. As empresas mantêm postura defensiva, priorizando giro curto e minimização de riscos de estoque.No campo, os produtores também convivem com custos altos, especialmente de diesel e frete, que encarecem a logística e comprometem a competitividade. Episódios recentes de especulação no preço do diesel agravaram a situação durante a colheita.No curto prazo, o mercado deve permanecer estável. No entanto, a normalização da oferta combinada aos custos elevados pode intensificar a pressão sobre os preços no médio prazo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário