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Dólar dispara e atinge maior patamar em meses com escalada de guerra no Oriente Médio

 


O mercado financeiro global viveu um dia de forte instabilidade nesta terça-feira (03/03). O acirramento do conflito entre Estados Unidos/Israel e o Irã provocou uma corrida por proteção, levando o dólar à vista a fechar em alta de 1,92%, cotado a R$ 5,2652 — o maior valor de encerramento desde o final de janeiro.

Dinâmica do Mercado: A Busca por "Porto Seguro"

Durante a manhã, a moeda americana chegou a saltar mais de 3%, tocando os R$ 5,34, refletindo o temor de que o conflito seja mais longo e devastador do que o previsto inicialmente.

  • Aversão ao Risco: Investidores liquidaram ativos de países emergentes (como o Brasil) para comprar dólares e títulos do Tesouro americano.

  • Petróleo em Foco: O barril do Brent chegou a subir 9% (US$ 85) antes de moderar a alta para cerca de 5%. A ameaça iraniana de fechar o Estreito de Ormuz é o principal motor dessa valorização.

  • Resposta de Trump: O presidente americano afirmou que a Marinha poderá escoltar petroleiros, tentando acalmar o mercado de energia.


O Impacto no Brasil: Real sob Pressão

Apesar da alta, o real teve um desempenho ligeiramente melhor que pares como os pesos do México e Chile. No entanto, o otimismo que cercava a moeda brasileira no início do ano foi abalado:

  • Vulnerabilidade: O banco Citi alterou a recomendação do real de "acima da média" para "neutro", apontando que a moeda está vulnerável à aversão global ao risco.

  • Dilema Econômico: Analistas explicam que o efeito para o Brasil é ambíguo. Se por um lado o país exporta petróleo caro (melhorando a balança comercial), por outro, o dólar alto pressiona a inflação e pode interromper o ciclo de queda da taxa Selic.

"O dólar se fortaleceu de forma ampla e o petróleo avançou, refletindo a revisão das estimativas quanto à duração do conflito", avalia o economista Marcelo Fonseca, do Grupo CVPAR.


Confusão no Banco Central

Um episódio inusitado marcou a tarde no mercado doméstico. O Banco Central (BC) chegou a anunciar dois leilões de linha (injeção de dólares) no valor de R$ 2 bilhões, mas cancelou as operações um minuto depois. O BC justificou que as publicações ocorreram por erro em um "ambiente de teste". Operadores afirmaram que o erro não afetou a taxa final de câmbio.


Resumo do Fechamento (03/03/2026)

IndicadorValor / Variação
Dólar à VistaR$ 5,2652 (+1,92%)
Máxima do DiaR$ 5,3441
Petróleo BrentAlta próxima de 5%
Acumulado do Mês (Dólar)+2,56%

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