domingo, 20 de novembro de 2022

Evitada a guerra total

 Explosão que ocorreu na Polônia provavelmente foi causada por um míssil de defesa aérea da Ucrânia

Jurandir Soares

A notícia da terça-feira eclodiu como uma bomba nas manchetes dos jornais mundo afora. O nosso Correio do Povo noticiou: “Explosão na Polônia mata dois e eleva a tensão sob risco de reação da Otan”. O fato estava relacionado a um míssil de fabricação russa que atingiu a pequena cidade polonesa de Przewodow, junto à fronteira com a Ucrânia, matando duas pessoas. À primeira vista, uma agressão da Rússia contra um país membro da Otan. Fato que, segundo os ditames da Aliança Atlântica, implicaria numa agressão a um dos membros da organização, com a correspondente declaração de guerra. Neste caso, uma guerra da organização liderada pelos Estados Unidos contra a Rússia. Ou seja, uma terceira guerra mundial, envolvendo as duas maiores potências nucleares do planeta.

Em outras circunstâncias, isto até poderia ser encarado desta forma. Agora, no entanto, felizmente, o bom senso prevaleceu. A constatação, segundo o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, é que a explosão provavelmente foi causada por um míssil de defesa aérea da Ucrânia. O foguete foi lançado por um S-300, antigo modelo soviético que é também o principal sistema antiaéreo de Kiev. A informação foi referendada pelo presidente norte-americano Joe Biden. Stoltenberg, contudo, não deixou de cutucar a Rússia, culpando-a por ser este um ato “decorrente da guerra ilegal que trava contra a Ucrânia”. O que não deixa de ser verdade.

Verdadeira ou não a informação, o certo é que o Ocidente tratou de amenizar o fato, para não ter que se envolver diretamente em uma guerra que está causando prejuízos para todo o mundo. EUA e União Europeia têm gastado bilhões de dólares com armas e equipamentos de inteligência que são enviados à Ucrânia. Além da ajuda humanitária. Em decorrência da guerra, as exportações de cereais e de combustíveis tiveram severas restrições, o que implicou no aumento de preços desses produtos, colaborando para a manutenção, e até aceleração, de uma crise que já vem desde que surgiu a pandemia. Crise esta que tem provocado elevada inflação, como os países há muito não viam. A decorrência disto, que se vislumbra para o próximo ano, é uma recessão global. Assim, neste cenário, arcar com os custos de uma guerra total seria uma loucura. Daí a decisão tomada, com a justificativa para o episódio na Polônia.


Correio do Povo

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