segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Excesso de chuva no Paraná coloca trigo gaúcho em destaque

 Com danos confirmados à qualidade da safra paranaense, expectativa recai sobre a colheita do cereal no RS



Com praticamente metade da colheita da safra 2022 de trigo realizada, os triticultores paranaenses vivem uma situação definida como “dramática” pelo presidente da Comissão de Trigo da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) e da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Culturas de Inverno do Ministério da Agricultura (Mapa), Hamilton Jardim. Com grandes volumes de chuva registrados em setembro e outubro, a confirmação quanto ao comprometimento da qualidade dos grãos torna-se real.

De acordo com o analista o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná, Carlos Hugo Godinho, apesar de as perdas ainda não terem sido quantificadas, verifica-se colheita de um grande volume de triguilho, grão de menor qualidade, especialmente nas regiões Oeste e Sudoeste do estado, as mais prejudicadas pelo excesso de umidade. “Só na última semana, tivemos problemas com germinação na espiga, apodrecimento e doenças fúngicas”, relata.

Conforme boletim do Deral de 20 de outubro, as condições do cereal colhido pioraram, com 12% das lavouras consideradas ruins ante as 7% da semana anterior. O levantamento também aponta que 54% das lavouras “plenamente” maduras estão colhidas, índice que, na mesma época de 2021, chegava a 74%. Contudo, Godinho indica uma safra sem grandes perdas no volume, estimado por ele em torno de 3,8 milhões de toneladas.

Dessa forma, a expectativa para a qualidade da safra brasileira de trigo volta-se totalmente para o Rio Grande do Sul. Com projeção de colher por volta de 5 milhões de toneladas, os produtores gaúchos deverão suprir a demanda brasileira pelo grão de qualidade. “O Estado está sendo muito observado pelos moinhos, assunto que, inclusive, pautou reunião com a Abitrigo na última sexta-feira”, revela Jardim. A expectativa também se faz presente entre os paranaenses: “Estamos nos apoiando na produção gaúcha para ver o trigo de qualidade entrando”, ressalta Godinho.

Com o atraso no plantio do trigo em algumas regiões, apenas 4% das lavouras gaúchas foram colhidas até agora, de acordo com último levantamento conjuntural da Emater-RS/Ascar. Apesar de a produtividade ainda não alcançar “índices muito altos”, como diz Jardim, as plantações “têm um potencial maravilhoso”. “Acredito que 5% por cento tenha sido colhido, mas o forte será em novembro”, diz.

Correio do Povo

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