quarta-feira, 13 de julho de 2022

Segurança dos candidatos à Presidência da República será antecipada pela Polícia Federal

 


A PF (Polícia Federal) decidiu antecipar o esquema de segurança para a proteção dos candidatos à Presidência da República. Inicialmente, eles seriam acompanhados por equipes de policiais a partir do início oficial da campanha, em 16 de agosto, mas, agora, isso deve acontecer assim que a candidatura de cada um for oficializada.

A campanha que gera maior preocupação é a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A convenção do partido está marcada para o dia 21, em São Paulo, e, segundo uma fonte da PF, o petista deve contar com a proteção oficial já a partir do dia seguinte.

A decisão de antecipar a operação de segurança dos candidatos foi tomada antes mesmo de o militante petista Marcelo Aloizio de Arruda ser assassinado a tiros, no último fim de semana, por um apoiador do presidente Jair Bolsonaro em Foz do Iguaçu (PR).

De acordo com um interlocutor, os acontecimentos das últimas semanas demonstraram que o clima no País está bastante conflagrado e, como os pré-candidatos já estão realizando atos que reúnem um grande número de pessoas, não seria prudente esperar o início oficial da campanha para fornecer a segurança.

Na semana passada, por exemplo, uma bomba caseira com fezes foi lançada em um evento da pré-campanha de Lula, na Cinelândia, no Rio. No mês passado, militantes que esperavam o petista para um evento em Uberlândia (MG) foram alvejados com um líquido fétido lançado por um drone.

Em setembro de 2018, o então candidato à Presidência Jair Bolsonaro foi atingido por uma facada durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG).

Pelo calendário do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), as convenções devem ser realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto. O primeiro a ter a candidatura oficializada será Ciro Gomes (PDT), que marcou o ato para o dia 20.

Apesar da escalada da violência, o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral não devem, por ora, alterar seus planos de segurança. Tanto o Supremo quanto o TSE já estão com as equipes reforçadas e trabalham com um planejamento especial para que as eleições transcorram sem incidentes mais graves.

Fontes dos dois órgãos afirmaram, reservadamente, que ações dessa natureza já estavam sendo previstas diante do clima de acirramento político e ideológico pelo qual passa o País. Nos últimos meses, porém, os dois tribunais têm investido mais na área de segurança e ampliado a proteção pessoal dos ministros.

Um dos temores é justamente a possibilidade de ocorrer ataques isolados aos magistrados ou às sedes das duas cortes, que também tiveram o policiamento reforçado e uma restrição ao acesso do público em geral, especialmente no TSE.

O Judiciário conta com um quadro próprio de segurança institucional, mas, para as eleições, o policiamento será reforçado com agentes da Polícia Militar, comandados pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal.

Até o primeiro turno, os tribunais trabalham com duas datas-chave para medir a temperatura do cenário nacional: 31 de julho, para quando estão sendo convocadas manifestações em todo o Brasil, e 7 de setembro, quando haverá um desfile militar em Brasília.

Desde já, há um monitoramento em curso, especialmente nas redes sociais, para tentar prever o tamanho das duas mobilizações e traçar estratégias para identificar ameaças reais ou potenciais às cortes.

O Sul

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