domingo, 17 de julho de 2022

Europa Ocidental é sufocada por incêndios e altas temperaturas

 Prefeito de Londres, Sadiq Khan, aconselhou os moradores da cidade a utilizar o transporte público apenas em caso de absoluta necessidade



Uma parte da Europa Ocidental se encontrava sufocada, neste sábado (16), por uma onda de calor que causou incêndios devastadores e ameaça bater recordes de temperatura neste fim de semana e no início da próxima. Os incêndios são especialmente preocupantes na Espanha, onde uma importante rodovia que liga Madri com a fronteira de Portugal ficou interditada por mais de 12 horas por conta das chamas que se alastravam na região de Extremadura, no sudoeste do país. "Está totalmente aberta ao trânsito" a rodovia A5, anunciou no Twitter, na tarde deste sábado, o serviço de emergência.

Depois de uma noite complicada, bombeiros e meios terrestres e aéreos conseguiram "estabilizar" o incêndio na região, que ameaçava o parque nacional de Monfragüe, uma área natural protegida por sua biodiversidade, assinalou Nieves Villar, diretora-geral da Defesa Civil de Extremadura. Dezenas de focos de incêndio continuavam ativos hoje na Espanha, que vive uma onda de calor com temperaturas extremas há quase uma semana. Um dos mais preocupantes está em Sierra de Mijas (Andaluzia, sul), que obrigou a evacuação de mais de 3.000 pessoas de forma preventiva. À tarde, 300 pessoas foram autorizadas a retornar para suas residências, segundo as autoridades locais.

Incêndios em Portugal, França, Grécia

Depois de dias difíceis, a situação em Portugal estava um pouco melhor neste sábado, com apenas um foco ativo de importância, no norte, entre as comunas de Baião e Amarante. "A previsão é controlar o fogo ainda hoje", declarou o responsável de Defesa Civil, André Fernandes.

Os correspondentes da AFP constataram que as chamas haviam perdido intensidade na tarde deste sábado. Ontem, o piloto de um avião usado no combate aos incêndios morreu depois que sua aeronave se envolveu em um acidente na região de Guarda (norte). Segundo a Defesa Civil, os incêndios deixaram pelo menos dois mortos e 60 feridos nas últimas semanas, e as chamas arrasaram entre 12.000 e 15.000 hectares.

No sul da França, os bombeiros continuavam combatendo vários focos, em particular no departamento de Gironde, onde quase 10.000 hectares de floresta foram destruídos pelas chamas desde a última terça-feira. A região vive uma onda de calor cujas temperaturas chegam a 40°C em alguns pontos, segundo a agência Météo-France.

Os esforços de combate às chamas deram frutos em Teste-de-Buch, onde o fogo foi contido, mas ainda não está totalmente "controlado", disse a imprensa o subprefeito de Arcachon, Ronan Léaustic. Os incêndios nesta região do país, que mobilizaram mais de mil bombeiros, mantêm preventivamente 12.000 pessoas longe de suas casas desde a terça-feira.

Na Grécia, os bombeiros combatiam um incêndio declarado ontem na ilha de Creta, onde sete aldeias rurais foram evacuadas.

Reino Unido se prepara para o pior

Embora o pico da onda de calor aparentemente já tenha passado na Espanha, a Agência Estatal de Meteorologia (Aemet) advertiu que as temperaturas devem continuar altas até pelo menos a segunda-feira. Neste sábado, elas continuavam acima dos 41°C nas regiões central, sul e sudoeste do país.

Em Portugal, apenas o Algarve, no sul, não estava sob alerta por conta do calor. Em outras partes do país são esperadas temperaturas em torno de 42°C.

Mais ao norte da Europa, no Reino Unido, um comitê de crise integrado por ministros de governo se reunirá neste sábado depois que a agência meteorológica nacional emitiu o primeiro "alerta vermelho" por calor extremo, advertindo que haverá "risco para a vida".

A agência Met Office prevê que, no sul da Inglaterra, as temperaturas poderão alcançar pela primeira vez os 40°C entre segunda e terça. O recorde registrado no país é de 38,7°C, em 2019.

Nesse sentido, o prefeito de Londres, Sadiq Khan, aconselhou os moradores da cidade a utilizar o transporte público apenas em caso de absoluta necessidade. No sul do país, algumas escolas anunciaram que permanecerão fechadas enquanto os termômetros seguirem elevados. Esta é a segunda onda de calor que atinge a Europa em menos de um mês, um fenômeno que está se tornando mais frequente e intenso devido à mudança climática, afirmam cientistas.

AFP e Correio do Povo

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