sexta-feira, 8 de julho de 2022

Entenda como funciona o processo para substituir Boris Johnson no Reino Unido

 Premiê britânico renunciou ao cargo nesta quinta-feira



A renúncia de Boris Johnson à liderança do Partido Conservador britânico abre caminho para uma batalha pela direção da formação, que determinará quem será o próximo primeiro-ministro. A eleição de um novo líder conservador - a terceira em seis anos - é uma disputa tradicionalmente cheia de reviravoltas, surpresas, drama e traições. Johnson disse que o calendário para a eleição será definido na próxima semana, e os barões do partido esperam ter um novo líder quando realizarem seu congresso anual em outubro.

Primeiro passo: liderar o partido

Os candidatos à liderança partidária devem ser parlamentares conservadores e contar com o apoio de pelo menos dois colegas. Ninguém se apresentou oficialmente ainda, mas, de acordo com uma pesquisa YouGov com membros do partido divulgada nesta quinta-feira, o ministro da Defesa, Ben Wallace, de 52 anos, venceria outros potenciais candidatos. Ele aparece seguido de Penny Mordaunt, de 49, ex-ministro da Defesa e atual secretário de Estado de Comércio Exterior.

Os deputados expressam suas preferências entre todos os candidatos em uma série de votações secretas até que restem apenas dois. São, então, os membros do partido que decidem entre os finalistas, que realizam uma campanha de várias semanas em todo Reino Unido.

Mas o processo pode ser mais rápido. Theresa May, que antecedeu Boris Johnson em Downing Street, tornou-se líder do partido em julho de 2016, sem a necessidade de voto dos filiados, após a desistência de sua rival Andrea Leadsom.

Caminho para Downing Street

O chefe do que é oficialmente chamado de "Governo de Sua Majestade" é nomeado pela rainha Elizabeth II, que escolhe a pessoa com maior probabilidade de ganhar a confiança da Câmara dos Comuns, geralmente o líder do principal partido político. Nesse caso, são os conservadores que têm maioria absoluta na Câmara dos Comuns desde sua triunfante vitória em dezembro de 2019, quando, liderados por Johnson, obtiveram uma maioria não vista desde os anos 1980 sob a pressão de Margaret Thatcher.

Nem sempre o favorito vence

Entre os conservadores britânicos, o favorito não necessariamente vence - longe disso. Em 1965, Reginald Maudling era considerado o favorito, mas Edward Heath venceu.

Heath convocou novas eleições em 1975 para estabelecer sua autoridade, e a expectativa era de uma vitória fácil. Mas Margaret Thatcher surpreendentemente venceu, tornando-se a primeira mulher a liderar o Partido Conservador. Heath nunca a perdoou.

Em 1990, foi Thatcher quem teve de fazer as malas depois de ser ultrapassada por seu rival Michael Heseltine. Mas John Major entrou na corrida e venceu Heseltine. Em 2005, David Davis foi apontado como vencedor, mas foi derrotado por David Cameron, um jovem "outsider".

E, na votação de 2016, que deu a vitória a May, o ex-prefeito de Londres Boris Johnson era o favorito até que seu aliado Michael Gove o abandonasse, forçando-o a se retirar.

AFP e Correio do Povo

Nenhum comentário:

Postar um comentário