terça-feira, 12 de julho de 2022

Dólar sobe a 5 reais e 37 centavos com aversão a risco por temor de recessão global

 


O dólar iniciou a semana no mercado doméstico em alta firme, voltando a superar a barreira de R$ 5,35, em meio a uma onda de fortalecimento global da moeda americana e ao tombo dos preços das commodities. Em meio à conjunção de aversão ao risco vinda do exterior e cautela local, o dólar encerrou desta segunda-feira (11), a R$ 5,3710, uma alta de 1,96%. Com isso, os ganhos da divisa acumulados em julho sobem para 2,60%.

Novos lockdowns na China para combater surto de variante do coronavírus e problemas de fornecimento de gás russo à Europa reavivaram os temores de recessão global que haviam arrefecido nos dois últimos pregões da semana passada, com anúncio de estímulos econômicos do governo chinês e geração expressiva de empregos nos EUA em junho.

O risco de novos problemas nas cadeias de produção em razão da política chinesa de “covid zero”, com eventuais impactos recessivos e inflacionários, jogam mais incerteza sobre a atividade global no momento em que os bancos centrais desenvolvidos, em especial o Federal Reserve, sobem juros para combater à inflação.

Dirigentes do BC americano já acenaram com nova alta da taxa de juros em 75 pontos-base neste mês e migração da política monetária ao campo restritivo. Por ora, descartam a possibilidade de recessão e apostam em pouso suave da economia americana. Nesta quarta-feira (13), sai o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) de junho, que pode ajudar a calibrar as expectativas.

Os ventos externos negativos se dão em um momento delicado do quadro doméstico. Após terem incorporado aos preços dos ativos a expansão de gastos extrateto na PEC dos Benefícios, que deve ser aprovada pela Câmara nesta semana, investidores se deparam com aumento das tensões políticas, após assassinato de militante petista neste fim de semana por um apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL). O governo deseja incluir dois milhões a mais de famílias no programa Auxílio Brasil, que teve seu valor elevado de R$ 400 para R$ 600 pela PEC dos Benefícios, também apelidada de PEC Eleitoral.

“O que está puxando mais o dólar é o ambiente externo. A maioria das divisas emergentes estão perdendo bastante hoje. Mas os problemas internos, como o fiscal e o aumento da tensão política, ajudam a pressionar a moeda”, afirma o operador Hideaki Iha, da Fair Corretora, para quem a queda de 1,44% do dólar na última sexta (8) foi exagerada, apesar da recuperação dos preços das commodities na semana passada. “O quadro ainda é muito complicado aqui e lá fora. Se não aparecer algo novo que dê alívio, esse dólar pode chegar a R$ 5,50.”

Bolsa

A referência da B3 retrocedeu aos 98.212,46 pontos, em queda de 2,07% no fechamento desta segunda. essa foi a baixa mais aguda em porcentual desde 17 de junho (-2,90%). Assim, o índice voltou a acumular perdas no mês (-0,33%), que elevam as do ano a 6,31%. Muito fraco, o giro foi de R$ 16,5 bilhões na sessão.

“O cenário ainda é de muita cautela, que deve se estender pela semana. O Ibovespa renovou mínimas ao longo da tarde, acomodando-se abaixo dos 98 mil pontos com os temores sobre novos lockdowns na China, bem como sobre a inflação e o risco de recessão nos Estados Unidos. O dólar foi a R$ 5,37 na máxima do dia, em alta de 2%”, diz Davi Lelis, economista e sócio da Valor Investimentos. “A discussão, hoje, não é mais sobre se haverá ou não recessão nos Estados Unidos, mas quando acontecerá e em que intensidade”, acrescenta.

O petróleo foi pressionado abaixo em parte do dia, em sessão na qual as commodities também refletiram temores sobre a demanda chinesa, ainda às voltas com surto de subvariantes da covid – em um quadro de atividade já enfraquecido para a economia global, exposta ainda a pressões inflacionárias.

Apenas oito ações do Ibovespa conseguiram se descolar da correção vista na sessão, com Telefônica Brasil (+0,80%), PetroRio (+0,74%), Assaí (+0,46%), Magazine Luiza (+0,38%), JBS (+0,19%) e Suzano (+0,15%) à frente. Na ponta oposta, destaque para Gol (-11,79%), Méliuz (-8,00%), Azul (-7,55%) e B3 (-5,86%).

O Sul

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