domingo, 17 de julho de 2022

Alianças no Oriente Médio

 Petróleo e a questão palestina são objetivos de Biden em visita a países

Jurandir Soares



O presidente americano, Joe Biden, iniciou na quarta-feira uma visita ao Oriente Médio com dois objetivos. Discutir o petróleo e a questão palestina. Ou seja, dois assuntos espinhosos. Na Arábia Saudita, a reunião é com líderes das monarquias do Golfo Pérsico, que os árabes chamam de Golfo Arábico. O objetivo é convencer os parceiros a produzir mais petróleo e mais gás, para suprir não só as necessidades dos Estados Unidos, mas, também, dos parceiros europeus, em especial a Alemanha, que depende da Rússia para mais da metade de suas necessidades energéticas. Tentativa nesse sentido já vem sendo desenvolvida há algum tempo, porém, sem sucesso. Daí a decisão de Biden de fazer um “tete-a-tete” com os árabes.

Mas a chegada do presidente americano se deu por Israel, onde foi efusivamente saudado e onde destacou que as relações dos EUA com Israel são “profundas até os ossos”. E ressaltou sua intenção de retomar as negociações com vistas à criação do Estado da Palestina, o que diz ser a “melhor esperança para ambos os povos”. Para isto, reuniu-se na Cisjordânia com o líder da Autoridade Nacional Palestina, Mahmud Abbas. Biden retoma a relação com os palestinos que havia sido deixada de lado por seu antecessor Donald Trump. Foi anunciada pela Casa Branca a concessão de 100 milhões de dólares para hospital palestino e outro 200 milhões para atender os refugiados. Trump, no entanto, foi responsável por um imenso avanço nas relações de Israel com os países árabes. Os chamados “Acordos de Abraão” proporcionaram tratados de paz de Israel com Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Sudão e Marrocos. Criando-se um ambiente de ampla cooperação na região, juntando os investimentos árabes com a tecnologia dominada por Israel. Só não entrou neste acordo, no primeiro momento, a Arábia Saudita. Mas é só uma questão de tempo, pois já houve visitas recíprocas de chefes de governo. Desde o anúncio desses acordos vários empreendimentos conjuntos já foram desenvolvidos, especialmente entre Israel e Emirados Árabes Unidos.

Tudo isto tem um objetivo maior por parte dos EUA, que se poderia considerar um terceiro ponto de interesse na viagem. Que é fortalecer a aliança de Israel com as monarquias sunitas da área, como anteparo às pretensões na região do regime xiita do Irã. Poderia se incluir nessas preocupações a China e a Rússia. Em meio a essa nova realidade na região, por mais que Biden queira ajudar os palestinos no seu objetivo de constituir o seu Estado, estes estão cada vez mais fracos na busca de seu objetivo. O mundo árabe, que lhes dava apoio, quer parcerias com Israel. E um aspecto dessa questão parece certo: enquanto os palestinos insistirem para ter Jerusalém Oriental como sua capital, mais longe estarão do seu objetivo de ter um Estado. E enquanto o acordo não sai, vão perdendo cada vez mais terras na Cisjordânia para os assentamentos judaicos.

Correio do Povo

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