sexta-feira, 17 de junho de 2022

Saiba como investir com a taxa básica de juros agora acima de 13% ao ano

 


Com a alta da taxa básica de juros (Selic) para 13,25% ao ano, como fica a rentabilidade das aplicações financeiras e onde colocar o dinheiro para obter o melhor retorno?

A elevação dos juros básicos da economia em mais 0,5 ponto percentual irá aumentar os rendimentos de investimentos em renda fixa e aplicações financeiras que acompanham a Selic como CDBs (Certificado de Depósito Bancário), títulos privados e títulos do Tesouro Direito.

Já na caderneta de poupança pouco muda. A modalidade de investimento mais popular do País seguirá com o retorno travado em 6,17% ao ano + TR (Taxa Referencial) e tende a continuar perdendo para a inflação e outras aplicações em renda fixa.

Veja a seguir simulações de rentabilidade nas principais aplicações de renda fixa e o ranking dos investimentos mais buscados.

Comparativo 

Simulações do buscador de investimentos Yubb mostram que, com a Selic a 13,25%, diversas opções em renda fixa oferecem retorno de mais de 1% ao mês, com uma rentabilidade líquida (descontada a inflação e o imposto de renda) de até mais de 5% para o período de 12 meses.

Entre as modalidades com maior retorno projetado estão as debêntures incentivadas, que são títulos emitidos por empresas para financiar seus projetos e operações, LCI (Letras de Crédito Imobiliário) e LCA (Letras de Crédito do Agronegócio).

Mais buscados

Segundo o levantamento do Yubb, os investimentos em renda fixa foram os mais buscados no mercado financeiro neste início de mês. Os títulos do Tesouro Direto s CDBs, que contam com a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) para aplicações de até R$ 250 mil, foram as aplicações mais procuradas entre 1º e 14 de junho.

A perspectiva de proximidade do fim do ciclo de alta da Selic é vista como uma oportunidade para a compra de títulos pré-fixados ou que pagam a inflação mais um prêmio.

“Seguimos enxergando um prêmio relativamente pequeno dos títulos longos em relação aos curtos. Dessa forma, reforçamos nossa visão de alocação em papéis de vencimentos curtos e intermediários. Em paralelo, os papéis de crédito privado estão elevando seus prêmios, aumentando a atratividade da relação risco-retorno para alguns emissores”, destaca Vinicius Romano, head da área de renda fixa da Suno Research.

Mesmo com a procura por CDBs em alta, a Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac) alerta que a modalidade precisa pagar acima de 85% do CDI para valer a pena e superar o retorno da poupança, uma vez que CDBs pagam IR de acordo com o prazo de resgate da aplicação.

Uma dica é buscar opções de CDBs fora dos grandes bancos, que costumam oferecer retorno maior. Bancos digitais e fintechs também costumam oferecer 100% do CDI para o dinheiro depositado nas contas de pagamento. Isso significa, na prática, que estão espelhando uma remuneração equivalente a da Selic.

Onde investir

No cenário atual, a renda fixa tende a continuar desbancando a renda variável em atratividade, uma vez que oferece diversas opções de menor risco com rentabilidade atrelada à Selic. Desde maio, o Brasil segue na liderança do ranking mundial de juros reais, o que torna o investimento em títulos públicos e privados brasileiros atrativo inclusive para os estrangeiros.

Já o mercado de ações e renda variável tende a seguir pressionados pela maior alocação de recursos na renda fixa e pela piora do cenário externo. Os analistas destacam, porém, que para o investidor paciente, vale sempre ficar de olho em oportunidades de “ações baratas” de empresas com bons fundamentos, com potencial de valorização no longo prazo.

“O atual cenário de inflação global continua pressionando fortemente os investimentos em renda variável, notadamente as ações brasileiras, ações americanas, fundos imobiliários e criptomoedas. A última leitura de inflação americana acima do esperado renovou as preocupações dos investidores com aumentos ainda mais contundentes da taxa de juros nos Estados Unidos”, afirma Bernardo Pascowitch, CEO e fundador do Yubb.

“Caso isso aconteça, poderemos ver uma corrida mais severa a ativos menos arriscados, especialmente o dólar e os títulos públicos americanos, o que significaria quedas mais acentuadas para os ativos de renda variável (ações, fundos imobiliários e criptomoedas)”, acrescenta.

Vale lembrar que na hora de investir é preciso avaliar não só a rentabilidade, mas também os objetivos desse investimento, o tempo que o dinheiro pode ficar aplicado, a necessidade de eventual resgate antes do vencimento e a disposição a assumir mais ou menos risco.

Com relação aos fundos de investimento, a principal vantagem é a contratação de uma gestão profissional de uma carteira diversificada de ativos. É importante, porém, ficar de olho nas taxas cobradas e no risco de sobe e desce do valor das cotas. A Anefac alerta que mesmo os fundos de renda fixa podem ter rendimento líquido inferior ao que é pago pela poupança quando a taxa cobrada é 2,5% ou mais por ano.

O Sul

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