terça-feira, 21 de junho de 2022

Pesquisa urbanística marca o início do Censo 2022 do IBGE

 Primeira etapa da pesquisa vai até 12 de julho



O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou nesta segunda-feira, na Câmara de Vereadores, a Pesquisa Urbanística do Entorno dos Domicílios 2022, que vai avaliar a infraestrutura urbana dos 497 municípios gaúchos. Para garantir a coleta de dados para a pesquisa - que marca o início oficial da operação do Censo Demográfico 2022, que entra em campo em 1º de agosto - os supervisores têm a missão de fazer o mapeamento urbano, percorrendo territórios e avaliando a necessidade de atualização de mapas, e verificar a existência de paradas de ônibus, rampas de acesso para cadeirantes e calçadas.

Os agentes censitários supervisores vão preencher questionários incluindo dados relacionados aos dez quesitos investigados: capacidade da via, pavimentação, bueiro e boca de lobo, iluminação pública, ponto de ônibus ou van, sinalização para bicicletas, existência de calçada, obstáculo na calçada, rampa para cadeirante e arborização. No primeiro dia de trabalho, Mária Bruna Pereira Ribeiro, 34, percorreu parte da rua Washington Luiz, no Centro Histórico, onde avaliou as condições da via e das calçadas. Com um tablet à mão, ela preenchia o questionário com as principais características da via. 

“O trabalho do Censo é fundamental pra gente pensar qualquer tipo de política pública que a gente consiga trabalhar de uma forma séria. Sem esses dados a gente não consegue ter uma realidade precisa do país”, destaca. Formada em Geografia, Mária ressalta o trabalho desenvolvido nesta primeira etapa. “Os mapas digitais são muito importantes. A gente não tem outra pesquisa no país que retrate tão fielmente a situação do nosso país”, completa. Entre as novidades deste ano, ela lembra que o IBGE vai avaliar a presença de vias sinalizadas para bicicletas. 

“Isso é muito importante para a questão da mobilidade urbana e é mais um dado que o IBGE vai conseguir trazer pra gente com essa pesquisa de entorno. Achei bem importante também a questão da arborização, pra gente ter uma noção de qual é o tipo de cidade que a gente está vivendo”, afirma. O chefe da Unidade Estadual do IBGE, José Renato Braga de Almeida, esclarece que nesta etapa o recenseador não vai passar “de porta em porta, realizando as entrevistas”. A pesquisa é feita somente pela observação dos quesitos nas áreas públicas dos setores censitários.

Ao explicar a importância da pesquisa para os municípios, Almeida observa que a primeira etapa vai até 12 de julho. Sobre a expectativa para o início da coleta de informações a domicílio, prevista para começar em 1 de agosto, ele garante que as prefeituras se comprometeram a auxiliar no trabalho IBGE. No Rio Grande do Sul, a meta é visitar 4 milhões de domicílios. “Além de passar a ser referência para distribuição do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), ela tem dentro de si algo muito mais importante que são os dados socieconômicos de cada município”, frisa. 

Almeida reforça que o IBGE é o único instituto de pesquisa que faz censo digital. “Em outros países, inclusive nos Estados Unidos, é no papel. Nós fizemos este questionário de meio digital e iniciamos isso já em 2010. E agora só estamos aprimorando”, observa. No ano passado, o ministro da Economia, Paulo Guedes, criticou a metodologia do IBGE e afirmou que “está na idade da pedra lascada”. “Em termos de instituição de pesquisa, eu diria que o IBGE é o contrário da era da pedra lascada. É uma referência pra todas as instituições. A gente recebe visita de outros países buscando informações, procurando entender como que a gente desenvolve esse trabalho”, afirma.

Dados da pesquisa do IBGE auxiliam na elaboração de políticas públicas

O coordenador operacional do Censo no Rio Grande do Sul, Luís Eduardo Puchalski, explica que os agentes vão percorrer todo o território urbano dos 497 municípios gaúchos, com uma equipe de 1,3 mil pessoas. “Esse trabalho tem dois objetivos, o primeiro deles é que esses supervisores percorram em território pra se ambientar, conhecer o território, corrigir eventualmente algum mapa que possa ter alguma alteração desde a última atualização, e preparar também esses insumos para o recenseador que vai ser contratado lá no final de julho”, afirma. 

Puchalski salienta que a equipe vai fazer a pesquisa de entorno a respeito da infraestrutura urbana feita com base em observação. “Não vamos acessar os domicílios, não vamos bater na porta de ninguém até o final de julho. Vamos percorrer o território observando se há parada de ônibus, se há rampa pra cadeirante, se há calçada. São informações que depois vão ser muito importantes para os gestores públicos, para o desenvolvimento de políticas públicas e para melhorar a infraestrutura urbana das cidades”, garante, acrescentando que a ideia é produzir indicadores de qualidade da infraestrutura urbana dos municípios. 


A partir dos dados coletados, Puchalski sustenta que vai ser possível fazer comparações entre municípios, verificar onde é preciso investir e que tipo de investimento precisa ser feito pra melhorar as condições da população. “Um dos objetivos do desenvolvimento sustentável lá pra 2030 é que tenhamos cidades sustentáveis. Então essa pesquisa produz indicadores pra que possamos saber em que estágio estamos hoje no Brasil. E como vamos fazer isso em todos os municípios do país, vai ser possível observar as diferenças que existem no país”, justifica. 

Entre os pontos avaliados estão a existência de ciclovia. “Isso muito a ver com a questão da mobilidade urbana. Então, vamos verificar quais os municípios que têm investido em ciclovias e qual é a área abrangida por essas ciclovias. Tudo isso vai ser produzido e essas informações vão ser produzidas por essa pesquisa de entorno que nós estamos iniciando no dia de hoje”, reforça. Sobre o início da coleta de dados a domicílio, em 1 de agosto, ele afirma que o IBGE garante confidencialidade dos dados e disponibiliza dois canais para verificação da identidade do agente. A pessoa pode ligar para o número 0800 721 8181 e confirmar a identidade do agente censitário supervisor antes de abrir a porta.

Como cada agente tem um crachá com identificação com um QR code, a pessoa pode consultar o registro do agente. “Ele tem uma identificação de QR code. Basta apontar a câmera do celular pra esse QR Code que vai dar acesso ao site, onde pode ser digitada a matrícula ou o nome da pessoa e confirmar a identidade dela”, afirma. “Toda informação prestada pro IBGE é garantida pelo sigilo estatístico, isso está previsto em lei. Jamais o IBGE vai divulgar dado individualizado, seja de quem for. O único objetivo da coleta de dados feita pelo IBGE é a produção de estatísticia. E isso é fundamental para o planejamento do país”, completa.

Correio do Povo


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