quarta-feira, 22 de junho de 2022

“Não é possível interferir no preço de combustíveis”, diz o ministro de Minas e Energia, que pede “sacrifício” da Petrobras

 


O ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, afirmou que não é possível interferir nos preços dos combustíveis, mas pediu nesta terça-feira (21) para a Petrobras dar sua parcela de “sacrifício”. Questionado em audiência pública na Câmara dos Deputados se tem “orgulho” do lucro da empresa, ele disse que “não”.

“Os Estados estão fazendo sacrifícios, o Congresso está fazendo sacrifícios, o governo federal está fazendo sacrifícios. Ora, é natural que a Petrobras também o faça. E porque é natural… Mas, de novo, essa decisão não é minha. Essa decisão é do presidente da Petrobras, do seu conselho e dos seus diretores”, disse Sachsida, listando os projetos aprovados para reduzir os impostos federais e estaduais sobre os produtos.

O ministro citou empresas internacionais de petróleo que saíram da Rússia por conta da guerra contra a Ucrânia para dizer que é preciso pensar na reputação da marca da Petrobras.

“Será que a British Petroleum (BP) não tem minoritários? Claro que tem. Será que eles estão felizes com o prejuízo que a BP está levando por abandonar a Rússia? E a Shell, será que os minoritários estão felizes? Eu acho que sim. Porque a empresa com poder de mercado tem que preservar a marca, não é só lucrar ao máximo no curto prazo e destruir a marca da companhia. A reputação de uma empresa é fundamental”, afirmou.

A declaração foi dada após o presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, ter pedido demissão por conta de pressões políticas. O presidente Jair Bolsonaro já havia decidido tirá-lo do comando da empresa e já havia escolhido o sucessor, Caio Paes de Andrade. Só que, em razão dos trâmites internos da Petrobras, a troca só seria efetivada após algumas semanas.

O ministro também pediu que a Petrobras se atente à agenda ESG (ambiental, social e governança, em português).

“Se eu puder dar uma sugestão, é uma sugestão, nós temos no mundo hoje uma agenda ESG, a agenda de governança, social e ambiental. Os países do mundo ocidental dão mundo valor à agenda ESG. Acho que cabe à Petrobras valorizar essa agenda porque é uma empresa que está listada em Bolsa.”

O próprio ministro deu como exemplo as atitudes tomadas pelo Banco do Brasil (BB) durante a pandemia. O BB é uma estatal listada em Bolsa, assim como a Petrobras. Sachsida foi questionado pelo deputado Hildo Rocha (MDB-BA) se teria orgulho dos lucros da empresa. O ministro, citando a pergunta do deputado, disse que não.

“A pergunta foi: ‘o lucro excessivo punindo a população, se eu tenho orgulho disso’. Não, não tenho, claro que não. Todos nós aqui temos responsabilidade social. Mas, veja, eu falo como alguém que não está na companhia. A Petrobras é uma companhia listada em Bolsa e as decisões da Petrobras são tomadas pelo seu presidente, pelos seus diretores e pelo seu Conselho de Administração. Não há influência do governo nessas decisões. O que o governo faz é escolher o seu presidente e indicar alguns membros do Conselho de Administração para dar alguns nortes para a companhia”, disse o ministro.

O lucro de R$ 44,5 bilhões da Petrobras no primeiro trimestre é criticado por políticos, sem lembrar que o governo federal é o principal destinatário dessas receitas. Só na última segunda (20), a Petrobras depositou quase R$ 9 bilhões nas contas do governo a título de dividendos.

Sachsida disse ainda que os preços são uma decisão da empresa, mesmo o governo tentado segurar os reajustes feitos pela Petrobras.

“Eu entendo que muitos dos senhores são cobrados pela população, porque é difícil para a população entender por que o governo não interfere no preço dos combustíveis. E aqui eu preciso ser claro: não é possível interferir no preço dos combustíveis”, disse Sachsida, se dirigindo aos deputados.

Ele afirmou que os preços não estão sob controle do governo.

“Não está no controle do governo. E, honestamente, preço é uma decisão da empresa, não do governo. Além disso, nós temos marcos legais que impedem a intervenção do governo numa empresa, mesmo o governo sendo acionista majoritário”, disse.

Questionado novamente sobre o assunto, ele reforçou que não é possível interferir na política de preços da Petrobras:

“O governo federal não tem como intervir na política de preços da Petrobras. Os normativos legais hoje impedem qualquer intervenção. Essa governança foi criada porque no passado abusos foram cometidos. A Petrobras sentiu na pele os problemas do passado.”

O Sul

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