quarta-feira, 15 de junho de 2022

MDB segue sem definição sobre o que vai fazer na eleição do RS

 Após reunião em SP com Gabriel Souza, presidente nacional do partido deixa explícita defesa de composição com PSDB, mas ressalta que 'nada será imposto'



Foi de poucos avanços no sentido de o MDB ter uma definição sobre o que vai fazer na eleição para o governo do RS a reunião desta terça-feira, em São Paulo, entre o presidente nacional da sigla, o deputado federal Baleia Rossi (SP), e o pré-candidato do MDB ao governo gaúcho, o deputado estadual Gabriel Souza. No Estado, o partido se divide entre os que desejam ter candidatura própria e os que aceitam indicar o vice na chapa do ex-governador Eduardo Leite (PSDB), que formalizou sua pretensão de concorrer novamente ao Piratini na segunda-feira.

Após o encontro, Gabriel divulgou uma nota, reafirmando sua pré-candidatura. Baleia, por sua vez, disse, em entrevista ao Correio do Povo, que a conversa foi longa, e que, nela, pediu, a partir da formalização da pré-candidatura de Leite, que seja aberto no RS um diálogo que replique a aliança nacional do chamado centro. Na semana passada, o PSDB confirmou o apoio à pré-candidatura da senadora Simone Tebet (MDB/MS) à presidência da República.

O dirigente destacou, porém, que o compromisso da executiva nacional é o de que a unidade ocorra através do convencimento. “Nada vai ser imposto. A senadora já conversou com o ex-senador Pedro Simon. E vamos conversar com o Luís Roberto Ponte, com o Odacir Klein, com o Sebastião Melo, que é uma grande referência, tem muito peso na decisão do partido, para mostrar a importância da unidade.” Baleia não quis estabelecer um prazo para o partido definir. Segundo ele, em função da capilaridade do MDB gaúcho, a decisão não vai ocorrer “da noite para o dia”. Ressalvou, contudo, que é otimista e, por isso, acredita que a escolha deverá ocorrer antes da convenção partidária, pré-agendada para 31 de julho.

O MDB gaúcho está dividido em duas partes sobre qual o melhor caminho a tomar na eleição estadual, e elas se subdividem. As divisões vêm desde o ingresso da sigla na base aliada do governo tucano e se intensificaram na mesma medida em que crescia a aproximação de parte de suas lideranças com o ex-governador. As divergências internas que marcaram a definição do nome do pré-candidato acabaram se transformando em crise depois que Leite, que havia sinalizado que apoiaria um candidato do MDB à própria sucessão e se dedicaria à eleição presidencial, voltou à corrida regional após o insucesso da empreitada nacional. A avaliação interna entre lideranças das diferentes alas é de que, mesmo que se mostre com maiores chances de chegar ao segundo turno, a indicação do vice na chapa tucana tende a, na prática, gerar divisões ainda maiores do que as atuais e a enfrentar dissidências explícitas na campanha. “Ninguém quer atirar a primeira pedra e depois ficar marcado como aquele que puxou a fila para enterrar a candidatura própria do maior partido do RS”, resume uma das lideranças emedebistas que participa das articulações de bastidores.

Correio do Povo

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